segunda-feira, 24 de junho de 2013

Mantras, o encontro com o Absoluto

As duas formas de conhecimento (vidya) a serem conhecidas são o Absoluto Sonoro e aquilo que o transcende. Aquele que conhece o Absoluto Sonoro chega ao Absoluto Supremo” Amrita Bindu Upanishad – 17


 mantras

Para se falar sobre mantras da tradição hindu, é preciso antes de tudo entender um pouco sobre o Sânscrito. O Sânscrito é um dos idiomas da Índia, e tem sua origem por volta de alguns mil anos antes de Cristo. Conhecido como a linguagem dos Deuses, ele foi utilizado na escrita dos Vedas, o livro sagrado da Índia, e muitos historiadores o classificam como o livro mais antigo encontrado, datado aproximadamente de 1500 A.C. Os Vedas são constituídos por 4 volumes de texto em forma de versos, que contém toda a base da cultura hindu, e permeia as praticas religiosas e espirituais, apresentando todos os caminhos para o conhecimento.
Compara-se o Sânscrito com a matemática, pois nele os princípios de harmonia sonora operam precisa e constantemente. A Matemática que é uma linguagem precisa e utilizada pela ciência, excita o cérebro, mas não o coração. O Sânscrito, assim como a musica, tem o poder de tocar no coração. O que tem de extraordinário no Sânscrito é que ele oferece a todos o acesso direto a um plano superior, onde tanto a matemática como a musica, o cérebro como o coração, a razão como a intuição, a ciência e religião tornam-se unos.
O Sânscrito é a linguagem dos Mantras, palavras que tem o poder de remover os condicionamentos da mente, por estarem em sintonia com o sutil e com a harmonia invisível da criação.
Os Mantras Védicos são o início das Upanishads. As Upanishads são o resumo do Vedas, comentados entre mestre e discípulo em forma de debates espirituais. O grande estudioso dos Vedas foi Shankara Chaya, e em cima dos seus comentários de Upanishdas, é que é feito todo o estudo dos Vedas.

Com esta breve apresentação, podemos agora falar mais sobre os Mantras e sua relação com a prática de yoga.
A palavra Mantra pode ser dividia da seguinte maneira: “Man” equivale a mente e “Tra” significa instrumento. Ou seja, o Mantra é um instrumento que conduz a mente.
É uma palavra ou frase de poder que deve ser usado com propriedade e consciência. Sua força reside em sua entonação correta. Começamos pelo princípio, OM. O OM é a essência dos mantras, o mais importante do hinduísmo, representa os elementos água, terra, fogo, ar e éter e é considerado o som do Universo. Ele na verdade não é um mantra e sim um Pranava. O Pranava é a ponte para atingir os mantras.
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Há varias maneira de entoar o Om, cada mestre tem uma técnica especifica. A sua origem é A + U + M = AUM, podendo recitá-lo nesta forma. Mas como se trata de um ditongo A+U=O,  recitá-lo OM também é correto. O Importante é respeitar os três tempos de entonação, que correspondem aos nossos três estados de consciência: vigília, sono e sonho. Uma curiosidade, segundo várias escolas hinduístas, o Om quando entoado internamente é muito mais poderoso e eficaz.

Os principais chackras do nosso corpo tem seu próprio som que é composto de três sílabas como o AUM. Podemos, trabalhar a harmonia dos nossos chackras em prática de asanas, pranayamas e durante a meditação através da visualização e entonação de cada um dos mantras correspondentes. Em ordem crescente são eles LAM (Muladhara) , VAM (Svadhistana), RAM (Manipura), YAM (Anahata), HAM (Vishudha) e OM (Ajna).


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Podemos também mantrar aos Deuses específicos como Shiva, Ganesha, Krishna, entre outros, estabelecendo assim uma conexão com cada um deles. Os mantras relacionados às deidades são poderosos e podem nos ajudar na realização de mudanças, remoção de obstáculos, transformações  ou apenas como agradecimento e reverencia. Eles são muito utilizados nos kirtans, os cantos devocionais indianos, e podem ser entoados também através de Japa, repetições de mantras ou frases através da utilização de um cordão de 108 contas, o Japamala.


japa mala

Mantre a Shiva para obter força nos períodos de mudanças e transformações, pois Shiva é o Deus da destruição, extingue o velho para dar espaço ao renascimento.
OM NAMAH SHIVAYA /Saudação Oh Senhor Shiva, inclino-me perante a ti 

 Mantre a Ganesha para ter a coragem de remover obstáculos que bloqueiam o seu crescimento espiritual. Ganesha é o Deus que remove os obstáculos através do seu intelecto e sabedoria.
OM GAM GANAPATAYE NAMAHA / Saudação a Aquele que remove os obstáculos

Os mantras védicos são o inicio das Upanishads. Muitos deles são chamados de Invocação à Paz e Invocação à Felicidade. Alguns são mais populares e utilizados em aulas. Estes mantras no geral são muito longos, e para se aprofundar neles é preciso estudar o Sânscrito. Mas não se prenda muito a isso, assim como a seus significados. Não há duvidas que eles são muito ricos em ensinamentos e quanto entoado, sua vibração transcende o entendimento.
Segundo Mahatma Gandhi, se todas as Upanishads fossem extintas e restasse apenas o primeiro verso de Isva Upanishad, este valeria por todos. Eu concordo! E você? Se não conhece aperte o play e se entregue. Este é o mantra em forma de Kirtan. Para saber como entona-lo numa prática, acesse a pagina do Boa Yoga no SoundClouds.

Boa Yoga SoundClouds

Mantra da Plenitude 
OM PURNAMADAH PURNAMIDAM PURNAT PURNAMUDACHYATE
PURNASYA PURNAMADAYA PURNAVEVASHISHYATE
OM SHANTI, SHANTI, SHANTIH 
Om, Isto é plenitude. Aquilo é plenitude. Da plenitude, a plenitude surge.
Tirando-se a plenitude da plenitude, somente a plenitude resta.
Om, paz, paz, paz 


Todo o Universo manifestado está fundamentado em energia e vibração, e é por isso que é possível produzir todo tipo de mudanças na matéria e na consciência por intermédio do som. Desde tempos antigos, grupos de Shadus vagueiam pelas terras da Índia cantando bhajans e mantras, por horas e horas todos os dias do ano, com o duplo propósito de elevar a consciência e manter o equilíbrio da sociedade. A utilização dos mantras nas aulas de Yoga é de extrema importância, como forma de reverenciar e agradecer aos Deuses e aos Mestres todos os ensinamentos da tradição, assim como é uma ferramenta que nos conduz através da vibração sonora ao encontro com o  Absoluto Supremo. Aquele que conhece o Absoluto Sonoro, chega ao Absoluto Supremo.

Hari Om
Melissa Amita


 * FONTE
MALVEZZI, MARCOS - Mantras, palavras de poder –  Ed Madras 1998
KUPFER, PEDRO -Isha Upanishad, a Upanishad do Ser Infinito - Cadernos do Yoga 1Ed. 2004 LOKASAKI - A Origem do Sânscrito – Cadernos do Yoga 1Ed.  2004
LOMBARDI, INÊS - Mantras e musica clássica indiana – Cadernos do Yoga  10Ed. Ano 2006
Audio: Purnamada , Puntumayo Presents Yoga
Imagens: Atma Tattva, Musica Indiana Brasil, Plotinus One, Filosofias do Universo

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Mitologia, Sutras e uma pedra no caminho.

“ Na mitologia hindu, Kali é uma manifestação da Deusa Durga. Segundo a lenda, nos primórdios dos tempos, um demônio chamado Mahishasura ganhou a confiança de Shiva depois de uma longa meditação. Shiva ficou agradecido por sua devoção e então lhe concedeu a dádiva de que cada gota de seu sangue produziria milhares como ele, que não poderiam ser exterminados nem pelos homens, nem pelos deuses. De posse de tamanho poder, Mahishaseura iniciou um reinado de terror vandalizando pelo mundo.
As pessoas foram exterminadas cruelmente e até mesmo os deuses tiveram que fugir de seu reino sagrado. Os Deuses reuniram-se e foram se queixar para Shiva das atrocidades cometidas pelo tal demônio. Shiva ficou muito zangado ao ser informado de tais fatos.
Sua cólera, por sentir-se traído em sua confiança, saiu do terceiro olho na forma de energia e transformou-se em uma mulher terrível.


Shiva aconselhou que os outros Deuses também deveriam concentrar-se em suas shaktis e liberá-las. Todos os Deuses estavam presentes quando uma nova deusa nasceu e se chamou a princípio de Durga, a Mãe Eterna. Ela tinha oito mãos e os Deuses a investiram com suas próprias armas de poder: o tridente de Shiva, o disco de Vishnu, a flecha flamejante de Agni, o cetro de Kubera, o arco de Vayu, a flecha brilhante de Surya, a lança de ferro de Yama, o machado de Visvakarman, a espada de Brahma, a concha de Varua e o leão, que é o meio de locomoção de Himavat.
Montada no leão, transformou-se em Kali, e cega pelo desejo de destruição atacou Mahishasura e seu exército. A Deusa exterminou demônio após demônio, exército após exército e um rio de sangue corria pelos campos de batalha, até que finalmente, decapitou e bebeu o sangue de Mahishasura estabelecendo novamente a ordem no mundo ”

Mitologia Hinduista faz parte dos estudos sobre Yoga, assim como outras obras literárias, que nos ajudam a entender melhor uma filosofia e cultura tão diferente da que estamos acostumados.
A principal leitura do yoga são Os Yoga Sutras de Patanjali, e este não trata de mitologia.
Nela está copilado o Yoga e toda a explicação para alcançá-lo, através do conhecimento dos preceitos morais e princípios de auto-controle, identificação dos obstáculos, técnicas de concentração para se chegar no nível de meditação, a meditação e seus poderes.
A obra começa assim:

Atha yoganusasana - Agora o Yoga
Yoga citta vrtti nirodha  -O Yoga é o recolhimento dos meios de expressão da mente.

É preciso muito auto-estudo para se chegar a este objetivo. Muito. Mas muuuuuito.
E a cada livro, cada técnica, cada prática, você se encontra diante de um mundo novo, que você não sabe se fica, não sabe se volta. 
Doce ilusão essa de “voltar”, porque a partir do momento que você sai da Ignorância Real, aquela que é desprovida do conhecimento, você se revolta. Como dizemos, tira-se o véu de Maya (ilusão) e pluft!
Você descobre tanta escuridão, que a sua ação é se isolar.
E acaba se distanciando, criando novos laços de amizade que te suportam numa mesma sintonia. Desliga a TV, abre o livro, usa a tecnologia para questionar e ir atrás da informação verdadeira, torna-se no mínimo ovo-lacto-vegetariano, aprende a respirar, consegue sentar e silenciar. Enfrenta opiniões contrárias, escuta muita abobrinha, é bombardeado pelas ações de marketing que empurrão mercadorias a cada minuto de coisas que você entulha no seu armário, é taxado de alienado porque não assiste “TV”, começa a se enxergar nos defeitos dos outros (que são seus). Tudo de boa, na paz. 
Isso é o que está sendo proporcionado em seu Sadhana, que é o caminho para aqueles que buscam o Yoga. O inicio do auto-conhecimento. Aquele que tem que ser apresentado pra nós desde o jardim de infância, esbarra em você só agora, após 20 e tantos anos de vida, ou mais.
Vidas mudam. Perspectivas mudam. Olhares mudam. Rotina muda. Até alguns valores podem mudar.
Busca-se a quietude com alegria. Com paz, compaixão, respeito pelo argumento do próximo, aceitação abraços, ausência de julgamentos, maior contato com a Mãe Natureza, não há sofrimentos, se alimenta com consciência, atrai todas aquelas coisas leves e boas de sentir que você achou que carregaria para sempre junto de você até o fim da sua vida, sem as perturbações do externo que perturbam o seu interior, tornando-se assim um vórtice que transmuta as energias, ajudando assim a equilibrar o Planeta. Tudo de boa, na paz.
Mas aí, de repente, no meio do caminho tinha uma pedra. Ou melhor tem uma manifestção em São Paulo.
E alguns Yamas (preceitos morais aplicadas não só aos yoguis, mas a todos os seres vivo) que você aprendeu no primeiro capítulo dos Sutras de Patanjali como Ahimsa (não-violência) e Satya (verdade), estão ensanguentadas na região da Consolação. 
Gritos de Não-Violência são mantras para trazer a paz, e são interpretados como” por favor  balas de borrachas e gás lacrimogêneo”.
Seu auto-conhecimento se depara com sentimentos de revolta.
Como silenciar no meio desse turbilhão de energia condensada, misto de poder e direitos, repressão e revolta? Como aquietar os pensamentos se eles são frutos de falta de amor contra a população, seres humanos que lutam pelo mínimo? Vandalismo não se justifica. Mas quem são os vândalos? 
A hipocrisia que era vista por poucos (apenas aqueles que não vivem das ilusões vendidas por aí), nestes últimos dias alcançou uma maioria que estava adormecida na Ignorância Real.
E está maioria aos poucos está começando a acordar e se juntar a multidão. E ao invés de silenciar, a multidão quer falar. Ao invés de meditar, a multidão quer se manifestar. 


No épico Bhagavad Gita, Krishna não desencoraja Arjuna na batalha, pelo contrário, a batalha tem que acontecer.  Batalhas fazem parte do nosso dia a dia, para umas podemos nos calar, para outras não. Umas podem perder, outras podemos vencer.
Que a força de Kali proteja a todos nós.
Que a força de Kali estabeleça a ordem no mundo.

Shanti Shanti Shanti
Paz Paz Paz

Melissa Amita _/\_
Paulistana e Brasileira



terça-feira, 30 de abril de 2013

Kapalabhati: Pranayama ou Krya?


Kapalabhati. Aqui está uma técnica simples, mas que traz muita confusão para os praticantes de Yoga.
Kapalabhati e Bhastrika são técnicas muito parecidas, mas com objetivos totalmente diferentes.
Kapalabhati é um Krya, segundo o Hatha Yoga Pradipka e o Gheranda Samhita  (os dois principais textos estudados pelos yoguis e que descrevem o Hathayoga) , e o seu principal objetivo é a limpeza das vias aéreas superiores.
Quando o Kapalabhati é associado à outra pratica respiratória que inclui retenção de ar, passa fazer parte de um pranayama. Bastrika é um pranayama, e também é conhecida como a respiração do sopro rápido/ fole.
O que é Krya? Krya são técnicas destinadas a limpeza e purificação das mucosas do nosso corpo.
O que é Pranayama? Pranayama são técnicas que nos preparam para o kumbhaka (o não respirar).
Então qual a diferença?
Somente na prática vamos conseguir entender:
Kapalabhati  significa crânio brilhante, pois é esta a sensação que nos traz após a sua pratica.
Sente-se numa posição ereta. Não importa se na cadeira ou no chão com as pernas cruzadas.
O importante é manter a coluna alinhada, assim como a caixa torácica. Faça uma inspiração e ao exalar, expulse lentamente todo o ar do pulmão contraindo o abdômen simultaneamente para ajudar o pulmão esvaziar completamente.  Inspire novamente de forma lenta, fazendo o ar completar os 3 estágios da respiração:  abdômen, pulmão e costelas, e sem pausas, expulse o ar de uma só vez contraindo com força a região abdominal, provocando assim um forte som pelas narinas ao exalar.  

kapalbhati1

A glote deve permanecer aberta para evitar atritos desagradáveis com a passagem do ar. A ação da expulsão do ar está relacionada com força que o abdômen é acionado. A força não é nas narinas ou no pulmão. Descontraia o abdômen e passe a inspirar novamente de forma lenta e completa, e expire vigorosamente o ar da mesma maneira, não esquecendo de que a ação está no abdômen, e não no pulmão ou nas narinas.
Não force a inspiração, ela ira ocorrer naturalmente, mas lembre-se que a exalação deve ser ativa. Inicialmente, faça um ciclo de 10 respirações. E com a prática constante aumente para mais 10 ciclos.
Mas nunca o faça excessivamente. Essa técnica quando feita incorretamente pode produzir tonturas.
Podemos efetuar o Kapalabathi pela amanhã, de preferência após efetuar a limpeza das narinas com o JalaNeti, também conhecido como Lota.

Jala-Neti-Image

Podemos equivocadamente pensar que o Kapalabhati  traz maior oxigenação ao cérebro e por conta disso cria-se duvidas com relação ao fato de pessoas hipertensas poderem realizá-la.
Mas a sua execução correta leva o sangue à alcalose (aumento do pH), associada à redução da concentração sanguínea de CO2 (gás carbônico), sem alterações significativas da concentração de O2 (oxigênio). Como conseqüência disto, após sua execução demora mais tempo para a pessoa sentir vontade de respirar, pois o principal fator metabólico que estimula os centros respiratórios no bulbo é exatamente a elevação da concentração sanguínea de CO2. Não há qualquer impedimento para que hipertensos o façam, porém é preciso ter certeza de que a técnica está correta, com a contração do abdômen na expiração e seu relaxamento na inspiração... e nada além disto.
Já, o Bhastrika, segundo o Hatha Yoga Pradipka e o Gheranda Samhita, é a combinação do Kapalabhati com outras técnicas que incluem inspirações, contenções e expirações de forma ativa. O sábio que realizar este pranayama como explicados nos textos “ nunca padecerá de enfermidades e estará sempre saudável ”. É  importante ressaltar que para o Bhastrika, por ser uma técnica mais profunda, o acompanhamento de um professor é essencial para os iniciantes, por este motivo não vou explicá-la a fundo, por ora.

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Com a técnica correta, o Kaphalabati traz inúmeros benefícios:
-Aumento da capacidade vital e da capacidade de retenção da respiração
-Desobstrução nasofaringeana, auxiliando em casos como rinites e obstrução nasal
-Melhora da capacidade expiratória, com melhores condições de prevenir e controlar sintomas de doenças respiratórias obstrutivas como asma e bronquite
-Redução de freqüência respiratória e da circulação periférica após sua execução
-Melhora de resitencia cardiovascular com sua pratica regular
-Aumento da circulação e estimulação mecânica dos órgãos abdominais, melhorando as funções digestivas --Melhora do esvaziamento da bexiga urinaria, prevenindo problemas como cistites
- Condicionamento da musculatura abdominal

Todos este efeitos são importantes, mas deve-se lembrar que o Yoga não é uma prática isolada, e suas técnicas de krya devem ser feitas em conjunto com asanas e pranayamas e com regularidade. Todos estes passos nos levam a melhores estágios meditativos, e que nos conectam com nossa essência.

Om Shanti _/\_

Melissa Amita
*Agradecimento especial ao Prof. Gerson D’Addio da Silva pelos seus ensinamentos.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Prazer, Fisiologia Sutil.

A verdade é esta: somos pura energia. E essa energia permeia, envolve, nutre e controla não somente o nosso corpo, como a nossa mente. Tanto os órgãos e os sistemas, como os espaços vazios do nosso ser. O prana (energia) serve de veículo a Consciência. Quando tal energia abandona nosso corpo físico, ele morre. Quando se desarmoniza, cria-lhe doenças. O prana se polariza em positivo (Ha) e negativo (Tha), e pode ser acumulado, transformado e conduzido. Respirar consciente é muito importante, pois o respirar é muito mais que um ato mecânico de nosso corpo. Cada vez que inspiramos absorvemos prana, cada vez que expiramos, o distribuímos pelos vários órgãos do corpo, alimentando assim a chamada vida.


Então, como não citar os 7 principais centros energéticos do corpo humano, denominados chakras, que distribuem esta energia através de canais (Nadis) e que permeiam, nutrem e controlam os orgãos e os sistemas? São eles, Muladhara, Svadhistana, Manipura, Anahata, Vishuddhi, Ajna e Sahashara.
A palavra chakra vem do sânscrito e significa “roda”, ”disco”, “plexo”. Os Vedas (1.500 a.C.) contêm os mais antigos registros sobre chakras de que se tem notícia. Quando foram escritos, o Yoga já sistematizava o conhecimento e o trabalho energético dos chakras.  Por isso essa sabedoria milenar me fascina tanto…. há 1.500 a.C. os hindus já sabiam disso!! Coisa que o lado de cá do mundo descobriu-se há poucas décadas!!!
Os chakras estão dispostos desde a base da coluna vertebral até o alto da cabeça, e cada um corresponde a uma das sete glândulas do corpo humano. Eles trabalham como vórtices que giram em grande velocidade, fazendo assim com que a energia flua para cima, por intermédio do sistema endócrino.
Os chakras são conectados entre si por uma espécie de tubo etérico, como um canal, denominado Nadi.
O principal Nadi chamado Sushumna tem sua base na região do primeiro chakra, onde reside uma energia potentíssima chamada Kundalini, e se estende ao longo da coluna vertebral (medula espinhal) por onde saem outros dois Nadis alternados:

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Ida –  sai da base da medula espinhal, sobe pela coluna e termina na narina esquerda;
Píngala – sai da base da medula espinhal, sobe pela coluna e termina na narina direita.

Partindo do chakra raiz, Ida e Pingala se cruzam 4 vezes ao longo da coluna.

Há no corpo humano um grande número de nadis, no entanto, estes são os 3 principais.   A Kundalini é representada simbologicamente no homem como uma serpente adormecida, enroscada na base da coluna. Quando a Kundalini é despertada, produz um calor muito intenso, que avança pelos Nadis em direção a cada chakra de forma sistemática e gradual, até chegar ao sétimo chakra localizado no topo da cabeça, desenvolvendo os poderes psíquicos latentes no homem, trazendo assim a conexão direta com o Divino, conduzindo a iluminação.
A subida gradativa da Kundalini vai mexer no seu campo emocional e energético. Vai fundo em situações gravadas no seu inconsciente e sub-consciente e traz à tona descargas positivas ou negativas que talvez não sejam fáceis de resolver, por isso é importante ter um professor por perto. Mas não se assuste, segundo as escrituras mais antigas, você pode adquirir até poderes paranormais.
Basta praticar muito, estudar, ter um mestre, viver, respirar e comer yoga. Fácil não?
Claro que não. São poucas as pessoas que conseguiram esse despertar, e podemos chama-los de Avatares aqui na Terra. Mas o conhecimento de como a energia entra e trabalha no nosso corpo é um enorme avanço para nossa própria consciência e evolução.
Os Asanas e Pranayamas são capazes de movimentar a energia estagnada, conduzir e alimentar nossos centros energéticos. Por isso a prática constante destas técnicas fazem parte dos Asthanga de Patanjali, nos ajudando a alcançar Moksha (libertação) e nos conduzindo ao caminho do Raja Yoga.

Para saber mais sobre chakras acesse:

Namastê
Melissa Amita

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Os Caminhos do Yoga

O que é Yoga? 

Yoga é união. Yoga é ação. Yoga é a desconstrução dos nossos padrões de pensamentos. Yoga é um método para trazer respostas e se auto-conhecer.  Yoga são posturas corporais. Yoga é unir algo que parece estar separado. Segundo o épico Bhagava Gita, Yoga é sabedoria na ação, e até mesmo acão na inação. Segundo o mestre yogui Patanjali, é cessar os movimentos da mente. Yoga é...
Existem várias definições para o que é Yoga.
Porque o Yoga não é um só. 
Há várias estradas neste caminho, mas todas elas possuem um único objetivo: alcançar Moksha.
Moksha é iluminação. É a transcendência do fenômeno de existir, de qualquer senso de consciência do tempo, espaço e causa.
Moksha, não se produz. Ele nos acompanha, só ainda não conseguimos enxerga-lo. Para se alcança-lo é preciso mudar o foco da visão. 
Por isso que o Yoga e suas técnicas são transmitidos apenas para aqueles que se sentem preparados a entrar neste novo modo de enxergar o mundo sem o véu ilusório de maya.
E é neste momento que nos deparamos com muitas portas e nos perguntamos, qual abrir primeiro? 



Karma Yoga

É o Yoga de Krishna. O Yoga da ação.
Na ação você não se identifica, não cria uma identidade egoica com a ação e seu resultado. 
É entregar a dedicação de todas as ações e seus frutos ao divino.
Segundo Swami Sivananda, é o serviço desinteressado para com a humanidade.
Trabalhos voluntários de karma yoga nos ajuda a trabalhar com nosso desapego.
Podemos fazer karma yoga a qualquer momento, por qualquer pessoa.
É ser um instrumento nas mãos do divino.
Gandhi é um grande exemplo de karma yogue  Ele se abdicou de tudo por causa de uma única causa, libertar a India e seu povo. 




Bhakti Yoga


É o Yoga da alma e da devoção ao Supremo Absoluto.
A prática pelo coração que une o amor divino dentro de ti à divindade.
Nas práticas, através de orações, repetição de japa mantras, pujas, satsangs e meditação, se mantem viva a conexão com o divino, com a divindade específica.
Segundo Amma, é a forma mais simples e natural de se alcançar a auto-realização.
Encontros denominados Satsangs são promovidos em todo o Brasil por diversos mestres e escolas.




Raja Yoga


O Raja é o "Yoga Real", completo, clássico.
É ciência, baseada no controle da mente e dos sentidos, através da prática dos seus 8 aspectos. 
Segundo a tradição hindu, o Raja Yoga era apenas estudado pelos reis e sábios, e passado de mestre para discípulo. Até surgir Patanjali, que cobilou o Yoga Sutra de Patanjali e o dividiu em 8 passos, como citado no post Os 8 Aspectos do Yoga Real

-Yama
-Nyama
-Asana
-Pranayama
-Prathyara
-Dharana
-Dhyana
-Samadhi


No Yoga Sutra, Patanjali desenvolve maior atenção em Dhyana, a meditação.
Quando você sai do estado de observação de um ponto específico e chega a observação de si mesmo. 
É muito importante ter um mestre ou professor para acompanha-lo nesta jornada.
Para um estudo mais aprofundado leia:  Raja Yoga: O Caminho real, de Swami Vivekanada




Jnãna Yoga


É o caminho do discernimento intelectual, o mais direto e o mais difícil para se alcançar Moksha. Necessita de uma determinação e entendimento que vão além da própria filosofia, vivência ou memorização de escrituras para que se possa atingir a verdadeira sabedoria - a Verdade Única que é pré-existente e imutável.

Ele é o topo da montanha, e usa o intelecto para iluminar qualquer tipo de ilusão ou ignorância.
Constitui em:
- discernimento ( reconhecer o real x irreal)
- renuncia (karma yoga, renuncia de suas ações)
- adquirir 6 perfeições (tranquilidade, controle dos sentidos, abster-se do que não leva a perfeição, aceitar as dualidade, serenidade, fé)





Quem pratica Jnãna Yoga usa muito o intelecto, então é importante praticar Bhakti Yoga para trazer equilíbrio.


Hatha Yoga


Segundo a filosofia tântrica  que tem por objetivo o desenvolvimento do ser humano, nos seus aspectos físico, mental e espiritual, nosso corpo é o nosso templo,  a nossa morada.

O Hatha Yoga vê o corpo e a mente de forma intergrada.

HA = SOL (corpo)
THA = LUA (mente)
HA + THA = união do Sol e da Lua (corpo + mente)

É a fusão das polaridades através da prática física. 
A mente interfere no corpo e o corpo interfere na mente. Trabalhando o corpo com técnicas específicas de posturas e respiração ,  purificamos nosso corpo, influenciando nossos estados mentais e emocionais.
Sua maior cararcterística na pratica é manter a atenção na ação.
Com o conhecimento e o encaixe perfeito do seu corpo você desconstrói seus padrões corporais  que  quebram os padrões mentais, que quebram os padrões comportamentais.




O Hatha Yoga Pradipka, junto com o Geramda Samhita são textos hindus que tratam do Hatha Yoga.
Ambos começam com a mesma frase:


" O objetivo do Hatha Yoga é chegar ao mais elevado Raja Yoga" 


Nos dias de hoje, o Hatha Yoga é bem desenvolvido e conta com várias técnicas além da tradicional, como Iyengar Yoga, Kundalini Yoga, Vinyasa Flow, Asthanga, Swasthya, entre outros.


Krya Yoga

Kriya Yoga é uma prática de meditação que não requer isolamento social ou físicos. Desde tempos imemoriais esta técnica científica ( com beneficios como o bem-estar, calma e equilíbrio já comprovados) vem sendo praticada por santos, profetas e sábios. Tais ensinamentos foram trazido a era moderna pelo imortal Mahavatar Babaji Maharaj, em 1861, que os transmitiu a Lahiri Mahasaya, um pai de família indiano que se tornou um mestre realizado. Foi trazido para o Ocidente na década de 20 por Paramahansa Yogananda, autor do livro "Autobiografia de um yogue".O sistema consiste em técnicas yóguicas que aceleram o desenvolvimento espiritual e ajudam a alcançar um profundo estado de tranquilidade e comunicação com Deus e com o próprio Eu Superior.Para se praticar o Kriya Yoga, você tem que ser iniciado por algum monge ou professor autorizado, durante uma cerimonia.





Pronto, aqui está o que contém atrás de cada porta.

Para explicações mais profundas indico leituras de livros, pesquisas na internet, perguntas a quem é praticante de yoga e práticas, somente assim você vivenciará o que melhor lhe cabe.
Estava lendo um texto do professor Pedro Kupfer, que cabe direitinho a este post, e que diz " ...não existe métodos diferentes e sim etapas distintas dentro de um único caminho. Esses caminhos ou escolhas (no yoga) nada mais é que o processo de crescimento de cada ser humano. São momentos ou fases dentro de um processo maior que é a vida de yoga..."
Ou seja, talvez você anda por um caminho a vida toda, talvez escolha 3, ou quem sabe chegue até o Jnana Yoga não é mesmo???


Namastê