sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

YOGA NO MAR

Texto de Pedro Kupfer www.yoga.pro.br



Terra, água e gente.
Três quartas partes da superfície da Terra estão cobertas por água, em forma de oceanos, mares, lagos e rios. Os demais planetas do nosso sistema solar têm paisagens onde predominam o fogo, os gases ou as rochas e os extremos de temperatura oscilam entre o absurdamente quente e o incrivelmente frio, impossibilitando a presença das grandes extensões de água em estado líquido que temos na Terra.
A fartura de água que encontramos aqui é única, e acabou por definir a relação que os humanos temos com a Natureza. O oceano é nossa mãe, a fonte de todas as formas de vida. Se reconstruíssemos a árvore genealógica da vida, remontando-nos sucessivamente geração após geração até muito além da existência do ser humano, chegaríamos aos primeiros organismos unicelulares, que se originaram justamente no mar.
A vida que palpita hoje em nossas células é a continuação do processo evolutivo que começou na água. Cada corpo humano, com seus tecidos e células, está feito de água na mesma concentração salina dos mares onde nasceu a vida. 
Assim, por essa curiosa conjunção de fatores, nascemos humanos. E, muitos de nós, nascemos igualmente à beira dos oceanos, olhando para o horizonte, infinito e sedutor que, ora nos chama, ora nos assusta.

Espiritualidade e surf.
Dessa proximidade natural do homem com o mar surgiram várias formas diferentes de se relacionar com ele. O mar é fonte de alimento, caminho para viagens, lugar de reflexão e fonte de prazer. Estas duas últimas maneiras de olhar para ele são as que deram lugar a atividades como o surf. 
Originalmente, ele era um exercício de reflexão que fazia parte da espiritualidade do povo polinésio. O surf pode ser visto, mais além do esporte em que se transformou atualmente, numa meditação em movimento com a qual ainda hoje podemos aprender muito sobre a arte de existir.
O surfista que se movimenta em perfeita harmonia com a onda entra na dança do universo, integra-se à Unidade, dissolvendo as fronteiras entre si mesmo e os elementos da criação. O tempo pára, as forças e leis da mãe natureza interagem sobre cada célula do ser, da prancha, da água, da luz... 
O surf, e principalmente o fato de entrar no tubo - o momento em que o surfista fica totalmente coberto, envelopado pela água em movimento, o que reproduz a volta à matriz, ao útero, à condição intemporal - desperta-nos o eco mais profundo desta relação atávica com o oceano como fonte da vida.

O surfista yogi.
O surf, para a civilização polinésia, era um ritual onde se repetia a viagem ao desconhecido, ao mundo enigmático e insondável que nos espreita desde o mar. Pode, ainda hoje, ser assim considerado. Na iminência do drop*, situado frente ao vazio, o surfista atento encontra o significado da própria existência, de uma maneira muito similar à que o Yoga nos propõe. 
O surfista primitivo, nu e sozinho perante o oceano, transforma-se através do seu contato com ele, que simboliza o poder da vida contido no inconsciente. No topo da onda, frente ao abismo, cresce no contato corpo-a-corpo com as forças da Natureza, às quais está indissoluvelmente ligado e das quais faz parte. 
Esse mergulho, essa entrega ao mar, renova o paradigma do herói mítico que se transfigura ao longo da jornada e torna o surfista, um yogi. Quem sentiu o tempo parar, e a unidade entre as forças da natureza e as próprias ao cortar uma muralha de água em movimento compreende isto perfeitamente. 

Surf e Yoga.
Surf e Yoga têm tudo a ver. O surf pode ser visto como uma prolongação da prática de Yoga e o Yoga como um complemento natural do surf, ou viceversa. Quando feito com a atitude correta, com o que o estudioso Georg Feuerstein chama de "pensamentoyogue aplicado", o surf pode ser considerado uma forma de Karma Yoga, o Yoga da ação consciente.
Karma Yoga é fazer as ações de maneira conscienciosa, estando atentos ao fato de que, embora tenhamos o direito de escolher o quê fazemos, não temos direito a manipular nem temos direito a escolher os resultados das nossas ações. 
Isso significa que podemos planejar e controlar o que fazemos, o como, o quanto e o quando mas, uma vez que as ações tiverem sido feitas, não podemos escolher ou modificar os frutos que retornam para nós a partir delas.
Assim, a atitude do karmayogi é a da aceitação pacífica desses resultados, independentemente de se eles coincidam ou não com nossas expectativas ou desejos. Isso é o que faz das ações cotidianas uma prática de Yoga.
Por outro lado, o surf nos ensina a ficar mais relaxados e a não levar nossas responsabilidades ou a vida em geral demasiado a sério. Muitas vezes, uma boa sessão de surf em plena quarta-feira é muito mais produtiva que quatro horas na frente do computador. 
Assim, sou partidário do que chamo bom-senso vital: se quisermos manter a sanidade mental e a felicidade no cotidiano, talvez seja melhor viver em paz, fazendo paradas ao longo do caminho que nos permitam desfrutar da jornada, bem como chegar tranquilos e descansados na meta. नमस्ते Namaste!  
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Drop é o momento em que o surfista, acelerando a prancha remando com os braços, fica em pé sobre ela dando um salto, para entrar na onda.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Brechó e Bazar Indiano Casa Prana


Jaya Amados Leitores!

Aproveitando está época de festas de fim de ano, de troca de carinho e presentes, venho convidar a todos para a 2ª Edição do Bazar e Brechó da Casa Prana, em São Paulo/SP.

bazar boayoga copy

Esta semana, eu li um post na internet que gostaria de compartilhar com vocês.

Ele dizia o seguinte: " Façamos o seguinte para o Natal: vamos comprar os presentes de pequenas empresas e autônomos. Da vizinha que vende por catálogo, de artesões que fazem bijuteria ou boa arte, da amiga que tem uma loja no bairro, do pasteleiro que faz doces artesanais, do rapaz que tem uma banca no mercado, em bazar e brechós espalhados pela cidade... Façamos o dinheiro chegar as pessoas comuns e não as grandes multinacionais. Assim, haverá mais gente a ter um melhor Natal. Apoiemos a nossa gente! Se você acha que é uma boa proposta, copie e cole no seu mural... "

Nós, praticantes de Yoga aprendemos com os ensinamentos dessa tradição milenar, a adquirir contentamento pelo que temos e desapego daquilo que não nos serve mais, e a valorizar outras formas de celebração de carinho, além daquelas impostas pela mídia, e pelo capitalismo desenfreado das grandes marcas, principalmente nesta época do ano.
Nos tornamos consumidores mais conscientes, e aprendemos também a valorizar os pequenos produtores, as pequenas lojinhas, as pequenas feiras, os pequenos restaurantes, porque são nesses lugares que nos sentimos acolhidos e recebemos além do valor da mercadoria, sorrisos sinceros.
E é com esta proposta que convido a todos, a nos visitar no Brechó e Bazar Indiano da Casa Prana.
Eu estarei expondo, junto com muita gente bacana, de coração aberto e que adora trocar energia, fazendo ela fluir.
Tem Brechó, Roupas Indianas, Roupas para Yoga, Artesanato, Guloseimas e muitas outras novidades...venha tomar um chá conosco!
Se você gostou da ideia e quer ter maiores informações sobre o Bazar, acesse a página do evento no Facebook, no link abaixo e compartilhe com seus amigos.

2º Brechó e Bazar Casa Prana
https://www.facebook.com/events/611639885539100/?fref=ts

Se você não mora em São Paulo e gostou da ideia,  procure na sua cidade Feiras, Bazar e Brechós, siga o conselho do post lá de cima. Se quiser divulgar o seu, coloque as informações nos comentários desde artigo, no Facebook.
Se tem habilidades manuais, arranje um tempinho e prepare presentes para seus familiares e amigos. Presente feito manualmente e cheio de carinho, é bem mais legal que presente comprado.
Mas se não tem habilidades, ou até as tenha, mas não está com tempo para coloca-las em prática, estarei esperando por vocês no Bazar, e vai ser uma ótima oportunidade de nos conhecermos, principalmente para aqueles que estão interessados em participar da viagem Yoga nos Andes Peruanos, na Páscoa 2014.
E lembre-se, não importa qual seja a sua crença, a mensagem mais importante desta época do ano, é o AMOR. E que ela possa se estender não só pela semana das festas, mas que perdure todos os dias do próximo ano.

 2º Brechó e Bazar Indiano
Data: 14/12/13
Horário: Das 10hs as 19hs
Local: Casa Prana - Alamenda dos Guaramomis, 1040 - Moema/São Paulo

Namastê _/\_
Melissa Amita

domingo, 1 de dezembro de 2013

Peru, energia transformadora!

Por Vanise Januario

O Peru é certamente um dos destinos mais incríveis da América do Sul! Quem nunca sonhou em conhecer a cultura andina e o misticismo das linhas de Nazca, a cidade colonial de Cusco, as comunidades centenárias do Vale Sagrado e a famosa cidade perdida de Machu Picchu?

Tahuantinsuyu  A história do Peru se confunde com o legado de uma das civilizações mais fascinantes da América: os Incas. Em pouco mais de 300 anos, os Incas formaram um império que se prolongava desde os terrítorios da Colômbia até a Argentina, passando pelo Equador, Peru e Bolívia. No século XV, o imperador Inca governava aproximadamente nove milhões de pessoas! O império inca era chamado Tahuantinsuyu e tinha como sede a cidade de Cusco.
Ainda hoje conhecida como a Capital Imperial, Cusco é uma cidade colonial, repleta de igrejas barrocas e arquitetura européia característica da época em que foi invadida pelos espanhóis, em 1532. Ainda assim, a cultura andina, as ruas de pedra e muitos dos templos usados em rituais religiosos pelos Incas resistem ao tempo e são visitados diariamente por turistas de todas as partes do mundo.

A religião e a espiritualidade dos Incas transformou o Peru em um dos lugares mais místicos do planeta. Os Incas eram politeístas e adoravam os elementos da natureza. Wiracocha é para os Incas o Deus Todo-Poderoso, aquele que criou todas as coisas no céu e na terra. Pachamama é a Mãe Terra e Inti o Deus Sol, um dos mais importantes deuses da civilização incaica.
Outro elemento importante da religião do Império Inca são as huacas, objetos sagrados reverenciados pelos seus poderes sobrenaturais, geralmente grandes rochas ou monumentos construídos em locais dedicados a rituais espirituais e cerimônias religiosas.
Entre as huacas mais importantes do Peru, mais de 300 podem ser encontradas em Cusco e na região do Vale Sagrado. Cusco, que em quechua significa umbigo do mundo, é apontada como um dos mais importantes vortex de energia espiritual do planeta. Essa energia restauradora e curativa propicia todas as atividades que visam o auto-conhecimento e crescimento espiritual.

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Apesar da importância da cidade de Cusco e da beleza singular do Vale Sagrado dos Incas, Machu Picchu, um dos destinos mais impressionantes do planeta, continua sendo o ponto-auge de qualquer roteiro pelo Peru! Ainda hoje existem controvérsias sobre a verdadeira função de Machu Picchu durante o Império Inca.

Estudos recentemente realizados por arqueólogos e historiadores indicam que a cidade era usada como um “resort real”, onde o imperador e a corte se hospedavam para relaxar, caçar e receber convidados.

Outros estudiosos alegam que Machu Picchu foi construída em um local considerado sagrado pelos Incas e era usada como um templo para adoração e cerimônias religiosas. O arqueólogo peruano Guillermo Cock acredita que as duas teorias se complementam e completa: “qualquer lugar que o imperador frequentava era sagrado, porque Ele era sagrado.” Os espanhóis nunca chegaram a Machu Picchu e a cidade foi abandonada pelos incas muito antes da invasão européia. As razões para que Machu Picchu fosse abandonada pelos Incas também é desconhecida.

Machu Picchu

 Melissa Amita, autora deste blog, colaboradora do site Boa Yoga e instrutora de yoga em São Paulo, em parceria a operadora Photo Tours & Travel, estará conduzindo uma expedição de 6 dias pelo Peru, incorporando a prática yogui com passeios diários aos principais destinos do sul peruano: Cusco, Vale Sagrado e Machu Picchu.
Uma experiência única, que unirá a energia da tradição milenar do yoga e a energia sagrada das montanhas. A viagem está marcada para o dia 16 de abril com retorno ao Brasil no dia 21 de abril de 2014, aproveitando o feriado prolongado de Páscoa e Tiradentes.

Qualquer pessoa pode participar, inclusive as que nunca praticaram yoga! Os espaços são limitados. Para saber mais sobre a viagem, mande um email para vanise@phototoursandtravel.com

Nós vemos lá!



terça-feira, 1 de outubro de 2013

Cultive um mundo melhor



Alguns dias atrás, a Chipotle, rede de comida mexicana situada nos EUA,   publicou este vídeo para divulgar o lançamento de um game aplicativo para download. A animação mostra um solitário espantalho (símbolo típico de proteção das plantações) observando frangos ‘inflados’ de forma não natural, vacas tendo seu leite tirado de forma ininterrupta, e depois o mostra começando um movimento de usar coisas naturais e não-industrializadas.

No release do jogo, a Chipotle fala: " Em um mundo de fantasia distópica, toda a produção de alimentos é da fictícia indústria controlada por corvos, Crow Foods. Espantalhos foram deslocadas de seu papel tradicional de proteger alimentos, e agora são usados pelos corvos e os seus planos malignos de dominar o sistema alimentar. Sonhando com algo melhor, um solitário espantalho propõe oferecer uma alternativa aos insustentáveis alimentos processados na fábrica"

Como mencionado no site http://www.hypeness.com.br/, " a rede não prega o vegetarianismo. Ela trabalha com carne de animais (muitos pratos mexicanos acompanham carne), mas o que a Chipotle defende e faz, é ter fornecedores de carnes responsáveis, onde o rebanho é criado de forma natural, sem intervenção de hormônios e/ou aditivos. Essa é uma causa de interesse de todos, pois hoje em dia temos nos alimentado de carnes que vêm carregadas de hormônios sintéticos e absolutamente prejudiciais para a nossa saúde..."

Este é o ponto. Muitas pessoas me perguntam o porque sou vegetariana e não entendem como posso recusar aquela picanha deliciosa, cheia de sangue, ou até mesmo um frango a passarinho. Posso dizer que é porque tenho compaixão pelos bichos e que quero ver eles livres, porque não gosto de carne, porque carne é indigesto, porque o corpo humano não possui as enzimas suficientes para digerir as toxinas da carne, mas a resposta que tem meu maior crédito é esta: Por causa da indústria que existe por trás de tudo isso. Os empresários que só pensam em lucrar, que não se importam em desmatar a Amazônia, para criar pastos ou para a plantação de soja (transgênica é claro), que servirá de alimento para os animais. Sem falar das bombas de hormônio sintéticos que os animais são submetidos a tomar ou que neles são injetados, para crescer além da ordem natural da vida, e que por tabela o consumidor ingere estes hormônios naquele saboroso pedaço de filet mignon. Tem mais, a maneira como porcos e galinhas são tratados e alimentados. Posso citar também o confinamento inadequado destes animais, e por fim, este poder que o homem acha que tem para determinar quando é hora do animal procriar, dar o leite, morrer e servir de refeição. Existem muitos documentários que exploram o assunto, bastante gente mobilizada para de alguma maneira mudar esta situação, e graças a internet, hoje podemos levar esta consciência a um maior número de pessoas. Com a informação e o conhecimento, cada pessoa tem o livre arbítrio para fazer suas escolhas, e repensar qual é o grau de responsabilidade que cada um tem para cultivar um mundo melhor, e de que forma faze-lo.

A busca por uma qualidade de vida é latente no ser humano, e a procura por alimentos orgânicos cresce em todo o Brasil, favorecendo assim a agricultura familiar, os pequenos e conscientes produtores que não desejam conquistar o mundo, mas apenas viver de uma forma sustentável, oferecendo alimentos para sua comunidade. São estes mesmo produtores conscientes que alimentam seus animais sem hormônios e suas plantações sem agrotóxicos. Existe uma relação de respeito com a natureza, e isto reflete na qualidade do alimento.
Pessoas que vivem nas grandes cidades podem achar que este mundo é muito distante, e se restringe apenas aqueles que moram no meio do mato. Erro grave. Hoje, conheço pessoas que conseguem trazer este tipo de produção para cidade, dentro de casa, no quintal. Fazem uma horta, com ervas e hortaliças, plantam arvores frutíferas, criam galinhas,  tem minhocário, fazem compostagem, reaproveitamento de água e muito mais... Reciclar o lixo nem é mais cogitado, porque nos dias de hoje, isso já virou hábito.
Fico incrédula quando as pessoas me perguntam, "mas se você não come carne, você como o que?". A única coisa que não como é a carne, de resto, como tudo, e até mais coisas do que os "carnívoros" não conhecem e não comem. Desde que me tornei vegetariana, descobri um mundo de sabores. Este mundo está nos legumes, nos cereais, nas frutas, nas verduras, nos temperos, nas ervas, e principalmente na combinação de tudo isso, do doce com o salgado, do picante com o suave, e por aí vai. Só arroz e feijão para mim também não basta. E me libertar de sabores condicionados como o da carne, abriu meu paladar para explorar uma combinação de sabores que foi um prazer a parte.

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Não quero convencer ninguém a nada. Como disse cada um faz suas escolhas, baseado naquilo que acredita e que vai contribuir para um mundo melhor. Mas fico feliz em compartilhar estas informações, porque de repente, vai que alguém precisa de um empurrãozinho, de uma esperança, de uma palavra, de uma informação que faltava. Vai que este artigo alimente aquela sementinha de mudança que está aí dentro de você. A alguns meses atrás fiz uma escolha que mudou toda a minha vida, e me fez sair da minha zona de conforto e da grana garantida, para fazer aquilo que acredito ser importante, e ir de encontro ao meu Dharma.
Esta escolha não foi só baseada em questões pessoais. A base dela é mais profunda e tem justamente a ver com o título desde post: Cultivar um mundo melhor. Descobri que faz parte do meu Dharma contribuir para o equilíbrio e cura do planeta, e estou me preparando e me capacitando para isto. Hoje tento basear todas as minhas escolhas neste ponto de vista. Não é fácil, ainda mais porque vivo numa megalópole como São Paulo.
Seria muito mais confortável ir morar lá nas praias capixabas junto do meu namorado e não estar em contato com essa babilônia, que tem um custo de vida altíssimo e é cheia de poluição que impossibilita a minha respiração. Mas estou descobrindo que aqui está o meu maior aprendizado. É aqui que trago o Yoga nas minhas ações diárias, fora do tapetinho, e a partir destas experiencias que me fortaleço. Confesso, com toda sinceridade, que não resisto ao queijo, como ovo de galinha caipira do quintal da minha sogra, de vez em quando me afogo num chocolate, e as vezes não resisto a uma coxinha de festa de criança. Chamo isso de equilíbrio, afinal, um dos grande ensinamentos de Sidarta Gautama, o  Buda, é trilhar o caminho do meio. Assim não me culpo, pois a atitude de cultivar um mundo melhor está sendo tomada em outras ações.

Hari Om!
Melissa Amita

REFERÊNCIA: Site Hypeness   http://www.hypeness.com.br/

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Sauchan, compromisso com a purificação

Sauchan é o primeiro dos cinco nyamas que Patanjali descreve em seus Sutras, e se refere à pureza. Para se aprofundar em uma vida de yoga, o yogui incorpora conduta e valores (yamas e nyamas) naturalmente na sua rotina. Saucha nos convida a estabelecer um compromisso com nos mesmos, e contempla a purificação do nosso corpo físico, mental e espiritual.
A limpeza e a purificação não se restringem apenas a higiene diária. Escovar os dentes, tomar banho, lavar as mãos, roupa lavada e casa limpa já fazem parte da rotina do ser humano, nos afastando de doenças e ajudando a manter a saúde em dia.
Nos tratados do Hatha Yoga são descritos shatkarmas (técnicas de limpeza) que auxiliam na purificação do corpo físico, através da limpeza das vias aéreas, do estomago, do intestino, dos olhos e da boca.
Os exercícios físicos, praticados com regularidade além de trazerem bem estar, purificam nosso corpo.
No Yoga, está é a função dos asanas, que trabalham não só o corpo físico, como também o corpo sutil, através da capacitação e condução de energia.
A purificação se expressa também na forma de uma alimentação saudável.
Nossa alimentação está muito ligada ao paladar, que por sua vez está ligado ao desejo. É muito importante termos o controle dos nossos sentidos, pois por vezes escolhemos o que é prazeroso, e negligenciamos os venenos e toxinas que introduzimos no nosso corpo.
Uma alimentação balanceada com frutas, legumes, raízes, hortaliças, grãos e sementes são essenciais. Dieta pobre nesses grupos alimentares, a base de carne e produtos industrializados, ajudam o corpo a produzir mais toxina. Com mais toxina, absorvemos menos nutrientes.
Temos que fazer dos alimentos que ingerimos, a nossa medicina. E dessa forma, atuarmos mais na manutenção de uma boa saúde, consumindo de maneira consciente.


Mas, Sauchan vai além de tudo que foi dito até agora.
Sauchan contempla a purificação da mente.
Precisamos selecionar aquilo que entra pelos nossos sentidos da visão e da audição, e o que nossa fala transmite, seja através da música que escolhemos ouvir,  do filme que assistimos, das propagandas na televisão e das conversas que participamos.
O que os sentidos da visão e da audição captam, criam e alimentam conexões cerebrais em nossa psique, impressões que ficam gravadas em nosso inconsciente, e podem se manifestar de maneira positiva ou negativa, de acordo com a emoção relacionada aquele fato. Temos que ser muito responsáveis e cuidadosos com nossa fala. Todas as palavras que dizemos, tem força e atinge de alguma forma o ouvinte.
Muitas vezes estamos condicionados a agir de determinada maneira, principalmente quando nossa mente está distraída. É neste momento que as impressões gravadas na psique conduzem nossos atos, e agimos por impulso.
Se permanecermos atentos e conscientes, as impressões não assumem o comando das nossas ações.
Uma mente distraída é uma mente cheia de estímulo, cansada e que não consegue encontrar equanimidade e discernimento para perceber as coisas como elas realmente são, e a partir de então agir.
É preciso purificar os pensamentos, para podermos enxergar quem somos e nos desidentificar com a imagem que criamos de nós. Um homem distraído vê apenas a projeção de si mesmo, não aquilo que realmente é. Distrações psicológicas e sensoriais nos afastam desse encontro.
Por isso a meditação é muito importante para o ser humano, e não só para os yoguis. Ela ajuda à assentar esta poeira mental, e dar espaço a consciência, trazendo a tona nossa essência, que nos ajudará a fazer escolhas baseadas no discernimento.
A escolha de meditar e olhar para dentro, pode ser no inicio uma tarefa agonizante. Podemos não gostar muito do que enxergamos, e nos assustar. O caminho da meditação tem como maior obstáculo nossos próprios pensamentos. E o segredo para se manter numa prática constante de meditação é aprender a não se identificar com eles. Apenas observe-os, e irá perceber que eles vêm e vão, com formas e conteúdos diferentes.
Muitas pessoas recolhem-se em retiros de tempos em tempos, para purificar o corpo-mente. Praticam voto de silêncio. Ficam dias sem qualquer contato com o externo. Isso é muito válido. E este contato com o serenidade pode ser alcançado bem mais perto do que imaginamos.
Durante uma pausa no nosso dia a dia, dez minutos de olhos fechados e em silêncio, já produz resultados benéficos. Fazer caminhadas junto à natureza, em silêncio, apenas contemplando, nos harmoniza. Contemplar a natureza é contemplar a ordem natural da vida. É enxergar Isvara em tudo. Não somos diferentes. Também somos cíclicos e sofremos com a interferência externa.
Fuja das vibrações baixas, das conversas inoportunas, das musicas e filmes agressivos.
Desligue a televisão e escolha um bom livro para ler.
Cultive amizades sadias.
Traga a consciência para os seus atos.
Compreenda essas purificações no corpo e em seguida o coração também é purificado. Quando o coração está puro, você está sempre feliz.
A concentração da mente vem automaticamente sem mesmo você perceber.
Seja puro em pensamento, palavras e atos.
É desta maneira que Sauchan se apresenta.

Namastê
Melissa Amita

Sattvashuddhi saumanasyaikagryendriyajayatmadarshana yogyatvani cha.
 “ E além do mais, são ganhos da pureza de sattva, contentamento da mente, acuidade, domínio dos sentidos e aptidão para a auto-realização"
Capítulo Dois - Sutra 41
Patanjali

Fonte:
METHA, ROHIT -  Yoga a arte da integração, Ed Teosófica Ano 1995
SATCHIDANANDA, SWAMI - Os Sutras do Yoga de Patanjali, Ed Del Rey, Ano 2000

Chakras

Os Chakras são centros energéticos existentes no corpo humano, responsáveis por captar, armazenar e conduzir o prana (energia) pelo corpo. Existem milhares de centros energéticos ao longo do corpo, mas vamos nos limitar aos sete principais, localizados entre a base da coluna e topo da cabeça.

Cada chakra tem sua cor, elemento, bija mantra, e um vínculo com os vrttis, as latências  mentais presente em cada um deles, que determinam os condicionamentos e as ações de cada indivíduo, e que muitas vezes podem fazer com que a energia em determinado chakra fique estagnada, trazendo a desarmonia do mesmo.
Conhecendo o conteúdo de cada um deles, podemos através das técnicas do yoga, entre elas asanas, bandhas e pranayamas, transpor esta estagnação e gerar mudanças biológicas e psíquicas.
A palavra chakra vem do sânscrito e significa “roda”, ”disco”, “plexo”.
O Shat-Chakra-Nirupana  Upanishad foi compilado em 1577 pelo hindu Purnananda, um guru de Bengala, e é considerado uma das melhores descrições a respeito dos chakras e nadis.

As descrições a seguir são baseadas nesta escritura, e caso tenha interesse em se aprofundar no assunto, indicamos o livro  Teoria dos Chakras, de Hiroshi Motoyama, Ed.Pensamento,  que faz um detalhado estudo sobre o tema.

Muladhara Chakra

download (3) O Chakra Raiz está localizado na base da coluna vertebral, entre o ânus e os órgãos genitais, e está relacionado as glândulas supra-renais, que segregam adrenalina. É aqui que a kundalini está adormecida.
Cor: ocre
Elemento: terra
Bija Mantra: LAM
Pétalas: 4 pétalas vermelhas
Símbolo: quadrado
Lâtencia: segurança
Em harmonia: instinto de sobrevivência, solidez, autoconfiança, materialidade, boa comunicação, relação sádia com a matéria, capacidade de transcender limites
Em desarmonia: inércia, posse, medo, apego, rigidez, cobiça, avidez, bloqueio na comunicação, tendência de ser manipulado, credulidade, dificuldade em dar e receber, possessividade

download (2)Svadhisthana Chackra

O Segundo Chakra está localizado na raiz dos orgãos genitais, quatro dedos abaixo do umbigo, corresponde ao plexo prostático.
Cor: branco
Elemento: água
Bija mantra: VAM
Pétalas: 6 pétalas vermelhas
Símbolo: crescente
Latência: sexualidade
Em harmonia: valor, coragem, reações positiva ante os obstáculos, criatividade, vitalidade, domínio sobre as paixões.
Em desarmonia: agressividade, violência, excessos, vergonha, autodestruição, obsessão sexual, domínio, solidão

download (4)Manipura Chakra

O Terceiro Chakra está localizado na região do plexo solar, à altura do umbigo e está associado ao plexo epigástrico e ao pâncreas.
Cor: vermelho
Elemento: fogo
Bija mantra: RAM
Pétalas: 10 azuis
Símbolo: triângulo
Latência: poder
Em harmonia: bem-estar, poder, consciência do eu, impulso pelo autoconhecimento, confiança, discernimento
Em desarmonia: egotismo, domínio sobre os demais, distorção da sexualidade, ambição, arrogância, raiva


download (7)Anahata Chakra

O Quarto Chakra está localizado ao nível do coração, relacionado ao plexo cardíaco e ao timo, a glândula responsável pelo funcionamento do sistema imunológico.
Cor:  cinza
Elemento: ar
Bija mantra: YAM
Pétalas: 12 vermelhas
Símbolo: 2 triangulos
Latência: amor
Em harmonia: amor, solidariedade, religiosidade, alegria, autoridade, compreensão, generosidade, nobreza, compaixão
Em desarmonia: passividade, falta de motivação ou confiança, angústia, desespero, aversão, ódio, agressividade


images (22)Vishuddha Chakra

O Quinto Chakra está localizado na plexo laríngeo, região da garganta. Está relacionado com as glândulas tireóide e paratireóide, que regulam o metabolismo.
Cor: prata
Elemento: espaço
Mantra: HAM
Pétalas: 16 púrpura
Símbolo: círculo
 Latência: eloqüencia
Em harmonia: reflexão, criatividade, receptividade, expressão, intuição, magnetismo, comunicação com o subconsciente
Em desarmonia: conflito de auto-imagem, dificuldade em expressar o que pensa e/ou sente, ganancia insensatez, negatividade

download (8)Ajna Chakra

O Sexto Chakra está localizado entre as sobrancelhas, no chamado terceiro olho. Relacionado ao plexo cavernoso e a glandula pituitária (hipofise), que segrega a endorfina.
Cor: branco e ouro
Elemento: -
Mantra: OM
Pétalas: 2 luminosas
Símbolo: lingam
Latência: saber
Em harmonia: intelecto, compreensão, força de vontade, determinação, paciência, perdão, plenitude, discernimento
Em desarmonia: bloqueio intelectual, dificuldade em ver as coisas como são, orgulho, soberba isolamento da totalidade


download (9)Sahashrara

O Sétimo Chakra está localizado no alto da cabeça, também conhecido como chakra coronário. Relacionado ao plexo cerebral e a glandula pineal (epifise), produtora de melatonina, substância que regula o sono e os ritmos biológicos. Cor: luz branca
Elemento: -
Mantra: -
Pétalas: 972 de luz
Símbolo: esfera
Latência: iluminação
Em harmonia: intuição, queima dos samskaras, transcendencia, amor universal, impulso de evolução, energia
Em desarmonia: falta de visão, falta de discriminação e falta de compreensão das realidades da vida

por Melissa Amita

FONTE:

KUPFER, Pedro – Apostila Formação em Yoga Curso Livre Módulo 1, Yogabindu Ano 2009 MOTOYAMA, Hiroshi - Teoria dos Chakras, Ed Pensamento, Ano 1988

terça-feira, 9 de julho de 2013

Tratados do Hatha Yoga


No estudo do Yoga, mas precisamente do Hatha Yoga, estudamos textos de extrema importância que abordam técnicas físicas e psíquicas, e além disso, estes textos nos trazem a compreensão do desenvolvimento do Yoga através das gerações.
Na ordem cronológica, a primeira citação ao Hatha Yoga, foi feita por Gorakshashataka, asceta fundador da ordem dos Kanphata yogis (orelhas furadas) e autor dos tratados Hatha Yoga (hoje perdido) e Gorakshashataka
Seguindo, temos o Hatha Yoga Pradipika de Svatmarama, o Gheranda Samhita datado de aproximadamente 400 anos atrás, e o Shiva Samhita, sendo este último a mais extensa e elaborada desde o ponto de vista filosófico.
Todos eles abordam o mesmo ensinamento, com algumas variações na ordem de apresentação dos temas, e na quantidade de técnicas.
Nestes textos, estão descritos os asanas (postura), pranayamas (respiração), shatkarmas (purificações), bhandas (pontos de condução de energia) e mudras (selos energéticos), aborda o despertar da kundalini (poder espiritual e energético localizado na base da coluna), assim como aponta o caminho para se chegar ao Samadhi (estado de iluminação).
São através destas técnicas que o praticante faz do corpo um instrumento para o crescimento pessoal levando o conhecimento também para a sua vida diária, e descobre que o que faz diferença é a atitude que se toma na execução de cada uma delas.

Abaixo, segue a introdução do Gheranda Samhita ("Coleção do sábio Gheranda"). O texto consiste num diálogo entre um sábio, Gheranda, e seu discípulo, Chabda Kapali. E dentro todos os textos, talvez, este  seja o que mais está perto das práticas de Hatha Yoga do século XXI.

"Uma vez, o jovem Chanda Kapali visitou o ermida do sábio Gheranda, a quem saudou com reverência e devoção: " Ó grande entre os yogis! Ó mestre do Yoga! Ó senhor! Por favor, instrui-me sobre a Ciência (vydia = conhecimento) da Força (Hatha), que conduz ao conhecimento da Verdade.
"Corretamente pedes, ó tu dos braços poderosos! Responderei, filho, todas tuas perguntas. Escuta com atenção. Não existem correntes como as da equivocação. Não existe força como a que provem da disciplina. Não há amigo mais elevado que o conhecimento. Não há inimigo mais poderoso que o egoismo. Assim como mediante o aprendizado dos alfabetos consegue-se, com a prática, dominar as ciencias, da mesma maneira, praticando o treinamento da Força adquiri-se o conhecimento da Verdade.
"De acordo com as aççoes, corretas ou incorretas, geram-se os corpos de todos os seres. Esses corpos dão origem às ações, que conduzem aos renascimentos. Dessa forma, a roda [do samsara fira sem parar], como o moinho d'agua. Assim como os baldes d'agua, puxados pelo boi, sobem e descem no moinho, ora cheios, ora vazios, da mesma forma a alma atravessa a vida e a morte movida pelos karmas"

Om Shanti Shanti Shantih
Hari Om

Melissa Amita


Fonte: KUPFER, Pedro - Apostila Formação em Yoga Curso Livre Módulo 1, Yogabindu Ano 2009
           Fotos: http://www.fisioeyoga.com.br/o-verdadeiro-discipulo/

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Mantras, o encontro com o Absoluto

As duas formas de conhecimento (vidya) a serem conhecidas são o Absoluto Sonoro e aquilo que o transcende. Aquele que conhece o Absoluto Sonoro chega ao Absoluto Supremo” Amrita Bindu Upanishad – 17


 mantras

Para se falar sobre mantras da tradição hindu, é preciso antes de tudo entender um pouco sobre o Sânscrito. O Sânscrito é um dos idiomas da Índia, e tem sua origem por volta de alguns mil anos antes de Cristo. Conhecido como a linguagem dos Deuses, ele foi utilizado na escrita dos Vedas, o livro sagrado da Índia, e muitos historiadores o classificam como o livro mais antigo encontrado, datado aproximadamente de 1500 A.C. Os Vedas são constituídos por 4 volumes de texto em forma de versos, que contém toda a base da cultura hindu, e permeia as praticas religiosas e espirituais, apresentando todos os caminhos para o conhecimento.
Compara-se o Sânscrito com a matemática, pois nele os princípios de harmonia sonora operam precisa e constantemente. A Matemática que é uma linguagem precisa e utilizada pela ciência, excita o cérebro, mas não o coração. O Sânscrito, assim como a musica, tem o poder de tocar no coração. O que tem de extraordinário no Sânscrito é que ele oferece a todos o acesso direto a um plano superior, onde tanto a matemática como a musica, o cérebro como o coração, a razão como a intuição, a ciência e religião tornam-se unos.
O Sânscrito é a linguagem dos Mantras, palavras que tem o poder de remover os condicionamentos da mente, por estarem em sintonia com o sutil e com a harmonia invisível da criação.
Os Mantras Védicos são o início das Upanishads. As Upanishads são o resumo do Vedas, comentados entre mestre e discípulo em forma de debates espirituais. O grande estudioso dos Vedas foi Shankara Chaya, e em cima dos seus comentários de Upanishdas, é que é feito todo o estudo dos Vedas.

Com esta breve apresentação, podemos agora falar mais sobre os Mantras e sua relação com a prática de yoga.
A palavra Mantra pode ser dividia da seguinte maneira: “Man” equivale a mente e “Tra” significa instrumento. Ou seja, o Mantra é um instrumento que conduz a mente.
É uma palavra ou frase de poder que deve ser usado com propriedade e consciência. Sua força reside em sua entonação correta. Começamos pelo princípio, OM. O OM é a essência dos mantras, o mais importante do hinduísmo, representa os elementos água, terra, fogo, ar e éter e é considerado o som do Universo. Ele na verdade não é um mantra e sim um Pranava. O Pranava é a ponte para atingir os mantras.
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Há varias maneira de entoar o Om, cada mestre tem uma técnica especifica. A sua origem é A + U + M = AUM, podendo recitá-lo nesta forma. Mas como se trata de um ditongo A+U=O,  recitá-lo OM também é correto. O Importante é respeitar os três tempos de entonação, que correspondem aos nossos três estados de consciência: vigília, sono e sonho. Uma curiosidade, segundo várias escolas hinduístas, o Om quando entoado internamente é muito mais poderoso e eficaz.

Os principais chackras do nosso corpo tem seu próprio som que é composto de três sílabas como o AUM. Podemos, trabalhar a harmonia dos nossos chackras em prática de asanas, pranayamas e durante a meditação através da visualização e entonação de cada um dos mantras correspondentes. Em ordem crescente são eles LAM (Muladhara) , VAM (Svadhistana), RAM (Manipura), YAM (Anahata), HAM (Vishudha) e OM (Ajna).


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Podemos também mantrar aos Deuses específicos como Shiva, Ganesha, Krishna, entre outros, estabelecendo assim uma conexão com cada um deles. Os mantras relacionados às deidades são poderosos e podem nos ajudar na realização de mudanças, remoção de obstáculos, transformações  ou apenas como agradecimento e reverencia. Eles são muito utilizados nos kirtans, os cantos devocionais indianos, e podem ser entoados também através de Japa, repetições de mantras ou frases através da utilização de um cordão de 108 contas, o Japamala.


japa mala

Mantre a Shiva para obter força nos períodos de mudanças e transformações, pois Shiva é o Deus da destruição, extingue o velho para dar espaço ao renascimento.
OM NAMAH SHIVAYA /Saudação Oh Senhor Shiva, inclino-me perante a ti 

 Mantre a Ganesha para ter a coragem de remover obstáculos que bloqueiam o seu crescimento espiritual. Ganesha é o Deus que remove os obstáculos através do seu intelecto e sabedoria.
OM GAM GANAPATAYE NAMAHA / Saudação a Aquele que remove os obstáculos

Os mantras védicos são o inicio das Upanishads. Muitos deles são chamados de Invocação à Paz e Invocação à Felicidade. Alguns são mais populares e utilizados em aulas. Estes mantras no geral são muito longos, e para se aprofundar neles é preciso estudar o Sânscrito. Mas não se prenda muito a isso, assim como a seus significados. Não há duvidas que eles são muito ricos em ensinamentos e quanto entoado, sua vibração transcende o entendimento.
Segundo Mahatma Gandhi, se todas as Upanishads fossem extintas e restasse apenas o primeiro verso de Isva Upanishad, este valeria por todos. Eu concordo! E você? Se não conhece aperte o play e se entregue. Este é o mantra em forma de Kirtan. Para saber como entona-lo numa prática, acesse a pagina do Boa Yoga no SoundClouds.

Boa Yoga SoundClouds

Mantra da Plenitude 
OM PURNAMADAH PURNAMIDAM PURNAT PURNAMUDACHYATE
PURNASYA PURNAMADAYA PURNAVEVASHISHYATE
OM SHANTI, SHANTI, SHANTIH 
Om, Isto é plenitude. Aquilo é plenitude. Da plenitude, a plenitude surge.
Tirando-se a plenitude da plenitude, somente a plenitude resta.
Om, paz, paz, paz 


Todo o Universo manifestado está fundamentado em energia e vibração, e é por isso que é possível produzir todo tipo de mudanças na matéria e na consciência por intermédio do som. Desde tempos antigos, grupos de Shadus vagueiam pelas terras da Índia cantando bhajans e mantras, por horas e horas todos os dias do ano, com o duplo propósito de elevar a consciência e manter o equilíbrio da sociedade. A utilização dos mantras nas aulas de Yoga é de extrema importância, como forma de reverenciar e agradecer aos Deuses e aos Mestres todos os ensinamentos da tradição, assim como é uma ferramenta que nos conduz através da vibração sonora ao encontro com o  Absoluto Supremo. Aquele que conhece o Absoluto Sonoro, chega ao Absoluto Supremo.

Hari Om
Melissa Amita


 * FONTE
MALVEZZI, MARCOS - Mantras, palavras de poder –  Ed Madras 1998
KUPFER, PEDRO -Isha Upanishad, a Upanishad do Ser Infinito - Cadernos do Yoga 1Ed. 2004 LOKASAKI - A Origem do Sânscrito – Cadernos do Yoga 1Ed.  2004
LOMBARDI, INÊS - Mantras e musica clássica indiana – Cadernos do Yoga  10Ed. Ano 2006
Audio: Purnamada , Puntumayo Presents Yoga
Imagens: Atma Tattva, Musica Indiana Brasil, Plotinus One, Filosofias do Universo

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Mitologia, Sutras e uma pedra no caminho.

“ Na mitologia hindu, Kali é uma manifestação da Deusa Durga. Segundo a lenda, nos primórdios dos tempos, um demônio chamado Mahishasura ganhou a confiança de Shiva depois de uma longa meditação. Shiva ficou agradecido por sua devoção e então lhe concedeu a dádiva de que cada gota de seu sangue produziria milhares como ele, que não poderiam ser exterminados nem pelos homens, nem pelos deuses. De posse de tamanho poder, Mahishaseura iniciou um reinado de terror vandalizando pelo mundo.
As pessoas foram exterminadas cruelmente e até mesmo os deuses tiveram que fugir de seu reino sagrado. Os Deuses reuniram-se e foram se queixar para Shiva das atrocidades cometidas pelo tal demônio. Shiva ficou muito zangado ao ser informado de tais fatos.
Sua cólera, por sentir-se traído em sua confiança, saiu do terceiro olho na forma de energia e transformou-se em uma mulher terrível.


Shiva aconselhou que os outros Deuses também deveriam concentrar-se em suas shaktis e liberá-las. Todos os Deuses estavam presentes quando uma nova deusa nasceu e se chamou a princípio de Durga, a Mãe Eterna. Ela tinha oito mãos e os Deuses a investiram com suas próprias armas de poder: o tridente de Shiva, o disco de Vishnu, a flecha flamejante de Agni, o cetro de Kubera, o arco de Vayu, a flecha brilhante de Surya, a lança de ferro de Yama, o machado de Visvakarman, a espada de Brahma, a concha de Varua e o leão, que é o meio de locomoção de Himavat.
Montada no leão, transformou-se em Kali, e cega pelo desejo de destruição atacou Mahishasura e seu exército. A Deusa exterminou demônio após demônio, exército após exército e um rio de sangue corria pelos campos de batalha, até que finalmente, decapitou e bebeu o sangue de Mahishasura estabelecendo novamente a ordem no mundo ”

Mitologia Hinduista faz parte dos estudos sobre Yoga, assim como outras obras literárias, que nos ajudam a entender melhor uma filosofia e cultura tão diferente da que estamos acostumados.
A principal leitura do yoga são Os Yoga Sutras de Patanjali, e este não trata de mitologia.
Nela está copilado o Yoga e toda a explicação para alcançá-lo, através do conhecimento dos preceitos morais e princípios de auto-controle, identificação dos obstáculos, técnicas de concentração para se chegar no nível de meditação, a meditação e seus poderes.
A obra começa assim:

Atha yoganusasana - Agora o Yoga
Yoga citta vrtti nirodha  -O Yoga é o recolhimento dos meios de expressão da mente.

É preciso muito auto-estudo para se chegar a este objetivo. Muito. Mas muuuuuito.
E a cada livro, cada técnica, cada prática, você se encontra diante de um mundo novo, que você não sabe se fica, não sabe se volta. 
Doce ilusão essa de “voltar”, porque a partir do momento que você sai da Ignorância Real, aquela que é desprovida do conhecimento, você se revolta. Como dizemos, tira-se o véu de Maya (ilusão) e pluft!
Você descobre tanta escuridão, que a sua ação é se isolar.
E acaba se distanciando, criando novos laços de amizade que te suportam numa mesma sintonia. Desliga a TV, abre o livro, usa a tecnologia para questionar e ir atrás da informação verdadeira, torna-se no mínimo ovo-lacto-vegetariano, aprende a respirar, consegue sentar e silenciar. Enfrenta opiniões contrárias, escuta muita abobrinha, é bombardeado pelas ações de marketing que empurrão mercadorias a cada minuto de coisas que você entulha no seu armário, é taxado de alienado porque não assiste “TV”, começa a se enxergar nos defeitos dos outros (que são seus). Tudo de boa, na paz. 
Isso é o que está sendo proporcionado em seu Sadhana, que é o caminho para aqueles que buscam o Yoga. O inicio do auto-conhecimento. Aquele que tem que ser apresentado pra nós desde o jardim de infância, esbarra em você só agora, após 20 e tantos anos de vida, ou mais.
Vidas mudam. Perspectivas mudam. Olhares mudam. Rotina muda. Até alguns valores podem mudar.
Busca-se a quietude com alegria. Com paz, compaixão, respeito pelo argumento do próximo, aceitação abraços, ausência de julgamentos, maior contato com a Mãe Natureza, não há sofrimentos, se alimenta com consciência, atrai todas aquelas coisas leves e boas de sentir que você achou que carregaria para sempre junto de você até o fim da sua vida, sem as perturbações do externo que perturbam o seu interior, tornando-se assim um vórtice que transmuta as energias, ajudando assim a equilibrar o Planeta. Tudo de boa, na paz.
Mas aí, de repente, no meio do caminho tinha uma pedra. Ou melhor tem uma manifestção em São Paulo.
E alguns Yamas (preceitos morais aplicadas não só aos yoguis, mas a todos os seres vivo) que você aprendeu no primeiro capítulo dos Sutras de Patanjali como Ahimsa (não-violência) e Satya (verdade), estão ensanguentadas na região da Consolação. 
Gritos de Não-Violência são mantras para trazer a paz, e são interpretados como” por favor  balas de borrachas e gás lacrimogêneo”.
Seu auto-conhecimento se depara com sentimentos de revolta.
Como silenciar no meio desse turbilhão de energia condensada, misto de poder e direitos, repressão e revolta? Como aquietar os pensamentos se eles são frutos de falta de amor contra a população, seres humanos que lutam pelo mínimo? Vandalismo não se justifica. Mas quem são os vândalos? 
A hipocrisia que era vista por poucos (apenas aqueles que não vivem das ilusões vendidas por aí), nestes últimos dias alcançou uma maioria que estava adormecida na Ignorância Real.
E está maioria aos poucos está começando a acordar e se juntar a multidão. E ao invés de silenciar, a multidão quer falar. Ao invés de meditar, a multidão quer se manifestar. 


No épico Bhagavad Gita, Krishna não desencoraja Arjuna na batalha, pelo contrário, a batalha tem que acontecer.  Batalhas fazem parte do nosso dia a dia, para umas podemos nos calar, para outras não. Umas podem perder, outras podemos vencer.
Que a força de Kali proteja a todos nós.
Que a força de Kali estabeleça a ordem no mundo.

Shanti Shanti Shanti
Paz Paz Paz

Melissa Amita _/\_
Paulistana e Brasileira



terça-feira, 30 de abril de 2013

Kapalabhati: Pranayama ou Krya?


Kapalabhati. Aqui está uma técnica simples, mas que traz muita confusão para os praticantes de Yoga.
Kapalabhati e Bhastrika são técnicas muito parecidas, mas com objetivos totalmente diferentes.
Kapalabhati é um Krya, segundo o Hatha Yoga Pradipka e o Gheranda Samhita  (os dois principais textos estudados pelos yoguis e que descrevem o Hathayoga) , e o seu principal objetivo é a limpeza das vias aéreas superiores.
Quando o Kapalabhati é associado à outra pratica respiratória que inclui retenção de ar, passa fazer parte de um pranayama. Bastrika é um pranayama, e também é conhecida como a respiração do sopro rápido/ fole.
O que é Krya? Krya são técnicas destinadas a limpeza e purificação das mucosas do nosso corpo.
O que é Pranayama? Pranayama são técnicas que nos preparam para o kumbhaka (o não respirar).
Então qual a diferença?
Somente na prática vamos conseguir entender:
Kapalabhati  significa crânio brilhante, pois é esta a sensação que nos traz após a sua pratica.
Sente-se numa posição ereta. Não importa se na cadeira ou no chão com as pernas cruzadas.
O importante é manter a coluna alinhada, assim como a caixa torácica. Faça uma inspiração e ao exalar, expulse lentamente todo o ar do pulmão contraindo o abdômen simultaneamente para ajudar o pulmão esvaziar completamente.  Inspire novamente de forma lenta, fazendo o ar completar os 3 estágios da respiração:  abdômen, pulmão e costelas, e sem pausas, expulse o ar de uma só vez contraindo com força a região abdominal, provocando assim um forte som pelas narinas ao exalar.  

kapalbhati1

A glote deve permanecer aberta para evitar atritos desagradáveis com a passagem do ar. A ação da expulsão do ar está relacionada com força que o abdômen é acionado. A força não é nas narinas ou no pulmão. Descontraia o abdômen e passe a inspirar novamente de forma lenta e completa, e expire vigorosamente o ar da mesma maneira, não esquecendo de que a ação está no abdômen, e não no pulmão ou nas narinas.
Não force a inspiração, ela ira ocorrer naturalmente, mas lembre-se que a exalação deve ser ativa. Inicialmente, faça um ciclo de 10 respirações. E com a prática constante aumente para mais 10 ciclos.
Mas nunca o faça excessivamente. Essa técnica quando feita incorretamente pode produzir tonturas.
Podemos efetuar o Kapalabathi pela amanhã, de preferência após efetuar a limpeza das narinas com o JalaNeti, também conhecido como Lota.

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Podemos equivocadamente pensar que o Kapalabhati  traz maior oxigenação ao cérebro e por conta disso cria-se duvidas com relação ao fato de pessoas hipertensas poderem realizá-la.
Mas a sua execução correta leva o sangue à alcalose (aumento do pH), associada à redução da concentração sanguínea de CO2 (gás carbônico), sem alterações significativas da concentração de O2 (oxigênio). Como conseqüência disto, após sua execução demora mais tempo para a pessoa sentir vontade de respirar, pois o principal fator metabólico que estimula os centros respiratórios no bulbo é exatamente a elevação da concentração sanguínea de CO2. Não há qualquer impedimento para que hipertensos o façam, porém é preciso ter certeza de que a técnica está correta, com a contração do abdômen na expiração e seu relaxamento na inspiração... e nada além disto.
Já, o Bhastrika, segundo o Hatha Yoga Pradipka e o Gheranda Samhita, é a combinação do Kapalabhati com outras técnicas que incluem inspirações, contenções e expirações de forma ativa. O sábio que realizar este pranayama como explicados nos textos “ nunca padecerá de enfermidades e estará sempre saudável ”. É  importante ressaltar que para o Bhastrika, por ser uma técnica mais profunda, o acompanhamento de um professor é essencial para os iniciantes, por este motivo não vou explicá-la a fundo, por ora.

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Com a técnica correta, o Kaphalabati traz inúmeros benefícios:
-Aumento da capacidade vital e da capacidade de retenção da respiração
-Desobstrução nasofaringeana, auxiliando em casos como rinites e obstrução nasal
-Melhora da capacidade expiratória, com melhores condições de prevenir e controlar sintomas de doenças respiratórias obstrutivas como asma e bronquite
-Redução de freqüência respiratória e da circulação periférica após sua execução
-Melhora de resitencia cardiovascular com sua pratica regular
-Aumento da circulação e estimulação mecânica dos órgãos abdominais, melhorando as funções digestivas --Melhora do esvaziamento da bexiga urinaria, prevenindo problemas como cistites
- Condicionamento da musculatura abdominal

Todos este efeitos são importantes, mas deve-se lembrar que o Yoga não é uma prática isolada, e suas técnicas de krya devem ser feitas em conjunto com asanas e pranayamas e com regularidade. Todos estes passos nos levam a melhores estágios meditativos, e que nos conectam com nossa essência.

Om Shanti _/\_

Melissa Amita
*Agradecimento especial ao Prof. Gerson D’Addio da Silva pelos seus ensinamentos.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Prazer, Fisiologia Sutil.

A verdade é esta: somos pura energia. E essa energia permeia, envolve, nutre e controla não somente o nosso corpo, como a nossa mente. Tanto os órgãos e os sistemas, como os espaços vazios do nosso ser. O prana (energia) serve de veículo a Consciência. Quando tal energia abandona nosso corpo físico, ele morre. Quando se desarmoniza, cria-lhe doenças. O prana se polariza em positivo (Ha) e negativo (Tha), e pode ser acumulado, transformado e conduzido. Respirar consciente é muito importante, pois o respirar é muito mais que um ato mecânico de nosso corpo. Cada vez que inspiramos absorvemos prana, cada vez que expiramos, o distribuímos pelos vários órgãos do corpo, alimentando assim a chamada vida.


Então, como não citar os 7 principais centros energéticos do corpo humano, denominados chakras, que distribuem esta energia através de canais (Nadis) e que permeiam, nutrem e controlam os orgãos e os sistemas? São eles, Muladhara, Svadhistana, Manipura, Anahata, Vishuddhi, Ajna e Sahashara.
A palavra chakra vem do sânscrito e significa “roda”, ”disco”, “plexo”. Os Vedas (1.500 a.C.) contêm os mais antigos registros sobre chakras de que se tem notícia. Quando foram escritos, o Yoga já sistematizava o conhecimento e o trabalho energético dos chakras.  Por isso essa sabedoria milenar me fascina tanto…. há 1.500 a.C. os hindus já sabiam disso!! Coisa que o lado de cá do mundo descobriu-se há poucas décadas!!!
Os chakras estão dispostos desde a base da coluna vertebral até o alto da cabeça, e cada um corresponde a uma das sete glândulas do corpo humano. Eles trabalham como vórtices que giram em grande velocidade, fazendo assim com que a energia flua para cima, por intermédio do sistema endócrino.
Os chakras são conectados entre si por uma espécie de tubo etérico, como um canal, denominado Nadi.
O principal Nadi chamado Sushumna tem sua base na região do primeiro chakra, onde reside uma energia potentíssima chamada Kundalini, e se estende ao longo da coluna vertebral (medula espinhal) por onde saem outros dois Nadis alternados:

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Ida –  sai da base da medula espinhal, sobe pela coluna e termina na narina esquerda;
Píngala – sai da base da medula espinhal, sobe pela coluna e termina na narina direita.

Partindo do chakra raiz, Ida e Pingala se cruzam 4 vezes ao longo da coluna.

Há no corpo humano um grande número de nadis, no entanto, estes são os 3 principais.   A Kundalini é representada simbologicamente no homem como uma serpente adormecida, enroscada na base da coluna. Quando a Kundalini é despertada, produz um calor muito intenso, que avança pelos Nadis em direção a cada chakra de forma sistemática e gradual, até chegar ao sétimo chakra localizado no topo da cabeça, desenvolvendo os poderes psíquicos latentes no homem, trazendo assim a conexão direta com o Divino, conduzindo a iluminação.
A subida gradativa da Kundalini vai mexer no seu campo emocional e energético. Vai fundo em situações gravadas no seu inconsciente e sub-consciente e traz à tona descargas positivas ou negativas que talvez não sejam fáceis de resolver, por isso é importante ter um professor por perto. Mas não se assuste, segundo as escrituras mais antigas, você pode adquirir até poderes paranormais.
Basta praticar muito, estudar, ter um mestre, viver, respirar e comer yoga. Fácil não?
Claro que não. São poucas as pessoas que conseguiram esse despertar, e podemos chama-los de Avatares aqui na Terra. Mas o conhecimento de como a energia entra e trabalha no nosso corpo é um enorme avanço para nossa própria consciência e evolução.
Os Asanas e Pranayamas são capazes de movimentar a energia estagnada, conduzir e alimentar nossos centros energéticos. Por isso a prática constante destas técnicas fazem parte dos Asthanga de Patanjali, nos ajudando a alcançar Moksha (libertação) e nos conduzindo ao caminho do Raja Yoga.

Para saber mais sobre chakras acesse:

Namastê
Melissa Amita

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Os Caminhos do Yoga

O que é Yoga? 

Yoga é união. Yoga é ação. Yoga é a desconstrução dos nossos padrões de pensamentos. Yoga é um método para trazer respostas e se auto-conhecer.  Yoga são posturas corporais. Yoga é unir algo que parece estar separado. Segundo o épico Bhagava Gita, Yoga é sabedoria na ação, e até mesmo acão na inação. Segundo o mestre yogui Patanjali, é cessar os movimentos da mente. Yoga é...
Existem várias definições para o que é Yoga.
Porque o Yoga não é um só. 
Há várias estradas neste caminho, mas todas elas possuem um único objetivo: alcançar Moksha.
Moksha é iluminação. É a transcendência do fenômeno de existir, de qualquer senso de consciência do tempo, espaço e causa.
Moksha, não se produz. Ele nos acompanha, só ainda não conseguimos enxerga-lo. Para se alcança-lo é preciso mudar o foco da visão. 
Por isso que o Yoga e suas técnicas são transmitidos apenas para aqueles que se sentem preparados a entrar neste novo modo de enxergar o mundo sem o véu ilusório de maya.
E é neste momento que nos deparamos com muitas portas e nos perguntamos, qual abrir primeiro? 



Karma Yoga

É o Yoga de Krishna. O Yoga da ação.
Na ação você não se identifica, não cria uma identidade egoica com a ação e seu resultado. 
É entregar a dedicação de todas as ações e seus frutos ao divino.
Segundo Swami Sivananda, é o serviço desinteressado para com a humanidade.
Trabalhos voluntários de karma yoga nos ajuda a trabalhar com nosso desapego.
Podemos fazer karma yoga a qualquer momento, por qualquer pessoa.
É ser um instrumento nas mãos do divino.
Gandhi é um grande exemplo de karma yogue  Ele se abdicou de tudo por causa de uma única causa, libertar a India e seu povo. 




Bhakti Yoga


É o Yoga da alma e da devoção ao Supremo Absoluto.
A prática pelo coração que une o amor divino dentro de ti à divindade.
Nas práticas, através de orações, repetição de japa mantras, pujas, satsangs e meditação, se mantem viva a conexão com o divino, com a divindade específica.
Segundo Amma, é a forma mais simples e natural de se alcançar a auto-realização.
Encontros denominados Satsangs são promovidos em todo o Brasil por diversos mestres e escolas.




Raja Yoga


O Raja é o "Yoga Real", completo, clássico.
É ciência, baseada no controle da mente e dos sentidos, através da prática dos seus 8 aspectos. 
Segundo a tradição hindu, o Raja Yoga era apenas estudado pelos reis e sábios, e passado de mestre para discípulo. Até surgir Patanjali, que cobilou o Yoga Sutra de Patanjali e o dividiu em 8 passos, como citado no post Os 8 Aspectos do Yoga Real

-Yama
-Nyama
-Asana
-Pranayama
-Prathyara
-Dharana
-Dhyana
-Samadhi


No Yoga Sutra, Patanjali desenvolve maior atenção em Dhyana, a meditação.
Quando você sai do estado de observação de um ponto específico e chega a observação de si mesmo. 
É muito importante ter um mestre ou professor para acompanha-lo nesta jornada.
Para um estudo mais aprofundado leia:  Raja Yoga: O Caminho real, de Swami Vivekanada




Jnãna Yoga


É o caminho do discernimento intelectual, o mais direto e o mais difícil para se alcançar Moksha. Necessita de uma determinação e entendimento que vão além da própria filosofia, vivência ou memorização de escrituras para que se possa atingir a verdadeira sabedoria - a Verdade Única que é pré-existente e imutável.

Ele é o topo da montanha, e usa o intelecto para iluminar qualquer tipo de ilusão ou ignorância.
Constitui em:
- discernimento ( reconhecer o real x irreal)
- renuncia (karma yoga, renuncia de suas ações)
- adquirir 6 perfeições (tranquilidade, controle dos sentidos, abster-se do que não leva a perfeição, aceitar as dualidade, serenidade, fé)





Quem pratica Jnãna Yoga usa muito o intelecto, então é importante praticar Bhakti Yoga para trazer equilíbrio.


Hatha Yoga


Segundo a filosofia tântrica  que tem por objetivo o desenvolvimento do ser humano, nos seus aspectos físico, mental e espiritual, nosso corpo é o nosso templo,  a nossa morada.

O Hatha Yoga vê o corpo e a mente de forma intergrada.

HA = SOL (corpo)
THA = LUA (mente)
HA + THA = união do Sol e da Lua (corpo + mente)

É a fusão das polaridades através da prática física. 
A mente interfere no corpo e o corpo interfere na mente. Trabalhando o corpo com técnicas específicas de posturas e respiração ,  purificamos nosso corpo, influenciando nossos estados mentais e emocionais.
Sua maior cararcterística na pratica é manter a atenção na ação.
Com o conhecimento e o encaixe perfeito do seu corpo você desconstrói seus padrões corporais  que  quebram os padrões mentais, que quebram os padrões comportamentais.




O Hatha Yoga Pradipka, junto com o Geramda Samhita são textos hindus que tratam do Hatha Yoga.
Ambos começam com a mesma frase:


" O objetivo do Hatha Yoga é chegar ao mais elevado Raja Yoga" 


Nos dias de hoje, o Hatha Yoga é bem desenvolvido e conta com várias técnicas além da tradicional, como Iyengar Yoga, Kundalini Yoga, Vinyasa Flow, Asthanga, Swasthya, entre outros.


Krya Yoga

Kriya Yoga é uma prática de meditação que não requer isolamento social ou físicos. Desde tempos imemoriais esta técnica científica ( com beneficios como o bem-estar, calma e equilíbrio já comprovados) vem sendo praticada por santos, profetas e sábios. Tais ensinamentos foram trazido a era moderna pelo imortal Mahavatar Babaji Maharaj, em 1861, que os transmitiu a Lahiri Mahasaya, um pai de família indiano que se tornou um mestre realizado. Foi trazido para o Ocidente na década de 20 por Paramahansa Yogananda, autor do livro "Autobiografia de um yogue".O sistema consiste em técnicas yóguicas que aceleram o desenvolvimento espiritual e ajudam a alcançar um profundo estado de tranquilidade e comunicação com Deus e com o próprio Eu Superior.Para se praticar o Kriya Yoga, você tem que ser iniciado por algum monge ou professor autorizado, durante uma cerimonia.





Pronto, aqui está o que contém atrás de cada porta.

Para explicações mais profundas indico leituras de livros, pesquisas na internet, perguntas a quem é praticante de yoga e práticas, somente assim você vivenciará o que melhor lhe cabe.
Estava lendo um texto do professor Pedro Kupfer, que cabe direitinho a este post, e que diz " ...não existe métodos diferentes e sim etapas distintas dentro de um único caminho. Esses caminhos ou escolhas (no yoga) nada mais é que o processo de crescimento de cada ser humano. São momentos ou fases dentro de um processo maior que é a vida de yoga..."
Ou seja, talvez você anda por um caminho a vida toda, talvez escolha 3, ou quem sabe chegue até o Jnana Yoga não é mesmo???


Namastê