sábado, 7 de abril de 2012

YOGA CITTA VRTTI NIRODHAH

Yoga. O que é Yoga?
Uma prática física, uma sequência de exercícios?
Ficar sentado parado, meditando?
Talvez para quem olha de fora, chega mesmo a essa conclusão.
Mas essa é apenas uma pequena ilustração externa, do que realmente é o Yoga.
Definir Yoga não é uma das tarefas mais fáceis.
Para se definir realmente é preciso vivencia-lo ao máximo, e eu estou apenas no começo do caminho.
Mas para não ficar assim tão vago, vamos recorrer as escrituras antigas.
Os Sutras do Yoga de Patanjali diz o seguinte:

YOGA CITTA VRTTI NIRODHAH.

YOGA= Yoga
CITTA= mente, ego, psique
VRTTI= alterações dos estados emocionais
NIRODHAH= conteúdo, contenção.





Tentei de várias maneiras escrever o que realmente isto quer dizer, mas não encontrei palavras. Fui caminhar na praia com meu namorado, e na minha cabeça estas 4 palavras dançavam num ritmo doido. Tão doido que não conseguia desviar meu pensamento para outra coisa, não conseguia nem sentir a presença do mar.
Mou, o namorado, estava a procura de um "spot" para caídas de surf, então sentamos em frente a um desses picos. E comecei a querer entender de que maneira as ondas se formam. Vento, maré, fundo de pedra, fundo de areia, força, e blá blá.... e tudo estava tão confuso como as quatros palavras acima, sem ordem, sem nexo, querendo respostas, uma conexão.
Me rendi a areia e fechei os olhos. Quem sabe tirando um dos meus sentidos do jogo, a compreensão chegaria.
E entrei numa linha de pensamento mais confusa ainda, tentando entender o citta e o vrtti, juntos, separados, juntos, distantes e qual a conexão do Yoga nisso tudo.
Depois de alguns minutos, quando abri os olhos vi que Mou havia feito 2 grandes desenhos na areia. Um rodamoinho e uma cabeça.
Como?? Ele nem sabia o que eu estava pensando!!!?
A associação na minha mente com os desenhos foi imediata, citta - a cabeça; vrtti - o rodamoinho.
Levantei e comecei a fazer perguntas para eu mesma, andando de um lado para o outro, querendo continuar a fazer a conexão entre os desenhos na minha mente. Peguei o pedaço de pau que ele fez os desenhos, e comecei a fazer setas tentando a conexão do yoga, do nirodhah com o citta e o vrtti. Desenhei até um "EU", dizendo que este "EU" só observava todo esse movimento.
Ele, de lado, só me observava.
Eu fazia perguntas para ele, que ele não entendia, e só balançava a cabeça, consentindo minha loucura.
Minhas linhas de pensamentos mudavam a cada seta, e a cada hora me via perdida nas respostas.
Quando de repente, o Mou virou pra mim e perguntou:
"Pra QUEM você está tentando explicar tudo isso?"
E eu respondi, "...............".
Ele sorriu, e me senti na obrigação de reconhecer: " Para minha razão...".
E ele completou: "...para seu lado esquerdo do cérebro. Você já é o Yoga. O Yoga está in. Não tente encontrar explicações, apenas vá praticar."
Parei com tudo, joguei o pedaço de pau pra cima, o abracei e agradeci.
Molhei meus pés na aguá, senti a energia do mar, sem questionamentos, sem querer entender como aquela onda chegou até meus pés.
Agradeci.
Usar a razão para explicar o que está além, não funciona.
Praticando, quem sabe?!

Namastê _/\_

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Satya: a verdade.



A primeira parte do Asthanga de Patanjali, equivale aos dois primeiros passos do Yoga:Nyamas e Yamas. Eles são subdivididos em códigos éticos, aquilo que podemos fazer e o que podemos evitar para darmos os primeiros passos para a iluminação, contribuindo assim, para uma sociedade melhor.

YAMAS

1. Ahimsa - Não Violência: Evitar ser agressivo e violento contra si e contra qualquer ser vivo. Seja em palavra, pensamento ou ação. Respeitar-se, corpo e mente. Distanciar-se da fúria do outro.
2. Satya - Verdade: Em palavra, pensamento e ação. Dizer a verdade sem agredir e ofender a outra pessoa.
3. Asteya - Não Roubar: O tempo, dinheiro e idéias dos outros. Não apropriar-se do que não nos pertence.
4. Bramacharya - Controle: Controle do prazer sensorial. Sobre o sexo, para não tornar obsessivo e compulsivo.
5. Aparigraha - Desapego: Praticar o desapego do resultado da prática, de relacionamentos, das posses materiais. Livrar-se da ambição e do desejo de possuir mais do que o necessário.

NYAMAS

1.Saucha - Pureza interna e externa: Praticar pureza física e mental
2.Santosha - Contentamento por ser: Ser contente e agradecido com o que "É" e possui dá uma sensação de satisfação e paz. Muito diferente de ser acomodado.
3.Tapas - Disciplina: Austeridade sobre si. Força de vontade para atingir objetivos "maiores". Esforço sobre si mesmo.
4.Swadhyaya - Auto-estudo: Observa-se atos, emoções, palavras e pensamentos. Análise e conhecimento da própria personalidade. Estar consciente de nossas qualidades individuais, perceber as nossas forças e fraquezas, para melhor saber quem somos.
5.Ishvara Pranidhana - Entrega ao Senhor : Oferenda de todas as suas ações a força soberana- Deus/Deidade do coração do praticante.

E como fazer para colocar tudo isso em prática?

Lição de Casa. Sim!! Fácil é pegar um livro, ler num blog, escutar o que o mestre diz, anotar. Tudo isso é teoria. Para se ter resultado é preciso praticar.
Escolha um ou dois, entre eles, para praticar por uma semana, duas. Aumente para um mês. Gradativamente vá incorporando um a um. Não se cobre demais, e não queira pratica-los juntos. O importante é o aprendizado que vamos adquirindo aos poucos. A observação de cada detalhe.
Estou fazendo a minha parte. Escolhi Satya, a Verdade. Resolvi abrir mão das mentirinhas bobas. Como não sou de inventar estórias pra impressionar ninguém porque a verdade muito me interessa, pensei que seria fácil . E comecei a perceber o quanto é difícil ser verdadeiro em todos os momentos.
Primeiro no trabalho. Por muitas vezes para satisfazer o cliente, mentirinhas bobas tem que vir a tona, apenas para dar a impressão que sim, ele tem razão (mesmo não tento). Ou que estou tentando (mesmo ja sabendo q o resultado para ele é: Não, senhor) A minha vontade é jogar a real, dizer que apenas vamos enrolando eles para criar um expectativa que não será atendida. Mas como tenho contas a pagar, engulo sapo.
Segundo: "Oi tudo bem. Como vc está? Tudo óootimo...Quanto tempo...bla bla bla. vamos marcar um encontro. A resposta: "Claro, precisamos!", mesmo sabendo que você não vai mais ver a pessoa tão cedo por "n" razões. Você só quis ser simpático.
Terceiro. Quando alguém te pergunta alguma coisa, e você tem preguiça de responder, mesmo sabendo a resposta. Sim, isso acontece comigo. Para fugir, ou não entrar em discussão, digo que não sei. Depois me arrependo.
Quando o telefone toca e você não quer atender, ou fingi que não ouviu. Depois fala ou encontra com a pessoa, com desculpas por não ter atendido a ligação. E claro, a pessoa sabe que são desculpas. A não ser que a pessoa seja uma chata, e você atenda dizendo isso pra ela....hahaha.
Quando você tem que sorrir quando quer chorar. Ou quando tem que ficar sério, quando tem vontade de gargalhar.
Aí você começa a perceber que sim, você mente! E começa a observar o porque. Por não magoar o outro, por receber ordens, para não entrar numa briga, entre outros. E começa a enxergar que a sociedade manipula tudo.
Satya é ser autêntico. É ter discernimento para transmitir a verdade sem magoar ninguém, sem iludir. É ter coragem de ser você. Infelizmente, em algumas ocasiões não depende só de nós. Mas onde pudermos praticar a verdade, estaremos contribuindo para a nossa harmonia interna. E quando estamos em harmonia com a gente mesmo, o mundo percebe.

NAMASTÊ

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Os 8 aspectos do Yoga Real

Segundo o Yoga Sutra de Patañjali,

"... O Yoga é tradicionalmente dividido em oito membros ou aspectos, chamados: yama, niyama, asana, pranayama, pratyahara, dharana, dhyana e samadhi...que podem ser divididos em três grupos.
Yama e Niyama são as disciplinas social e individual; Asana, Pranayama e Pratyahara levam a evolução do individuo, ao entendimento de sua natureza; Dharana, Dhyana e Samadhi são os efeitos do yoga que criam condições para vislumbrar a alma..."



"...O primeiro nível do ioga consiste no que pode ser chamado de regras para o que é permitido e para o que não é. Yama nos diz o que deve ser evitado para NÃO causar danos ao indivíduo ou sociedade, e Niyama, o que devemos fazer pelo BEM do indivíduo e da sociedade.

O segundo nível compreende o Sadhana, ou prática, e engloba Asana, Pranayama e Pratyahara.
Asanas são as muitas posturas diferentes praticadas com o corpo. Pranayama é a ciência da respiração. E Pratyahara é, igualmente, silenciar os sentidos e mantê-los passivamente em suas posições, ou direcioná-los para o interior da individualidade, para que possam assentar na essência do ser.

O terceiro nível, é descrito por Patañjali, em seus Yoga Sutras, como o tesouro do yoga. Trata-se do efeito ou fruto do Sadhana, e consiste em Dharana, que é a concentração ou atenção completa. Dhyana é meditação. E Samadhi é o ápice do yoga, o estado de graça e união com o Espírito Universal..."

O texto acima foi extraído do livro de B.K.S Iyengar, A Árvore do Ioga - Ed. Globo.

Yoga não são práticas físicas que resultam num corpo legal. Yoga é mais do que isso.
Os ensinamentos antigos são sábios, e no caso dos Yoga Sutras de Patanjãli são científicos.
Yoga também é ciência.
É um caminho, uma filosofia que começa de dentro para fora. Que nos leva a olharmos para dentro de nós com mais carinho. Que nos leva ao nosso auto-conhecimento. E que nos faz contribuir para um mundo melhor.
Não estou dizendo que o Yoga é o único e exclusivo caminho, porque afinal, o mundo é de uma diversidade tamanha, e existem inúmeras possibilidades.

Namastê.



terça-feira, 4 de outubro de 2011

Como você respira?



A respiração acontece pelo nariz, não pela boca.
A respiração pelo nariz é função essencial para a saúde das pessoas.
Quando respiramos pelo nariz, o ar é umidificado, aquecido e filtrado de suas impurezas para chegar aos pulmões.
Repare como o ar entra pelas suas narinas. Para onde ele vai? Até onde ele chega?
Sua respiração é alta, média ou baixa?
Repare quando tempo o ar leva para percorrer os órgãos do seu corpo. 
Pare alguns segundos e preste atenção.
O ato de respirar envolve narinas, garganta, peito, costela, diafragma, abdômen.
Pura energia entrando no seu organismo e revitalizando suas células, levando oxigênio para o seu cérebro, relaxando seus músculos. 
Respirar é algo que fazemos naturalmente e automaticamente. É instintivo.
E a na maior parte do tempo, não nos damos conta do quanto é importante respirarmos conscientemente.
A RESPIRAÇÃO COMPLETA é o início desta conscientização.
Dedique-se a ela poucos minutos ao dia, e gradativamente vá aumentando este tempo, até que ela se torne natural, e sinta o prazer que ela lhe proporcionará.

RESPIRAÇÃO COMPLETA

Inspire projetando o abdômen para fora, em seguida as costelas para os lados, dilatando a parte alta do tórax.
Ao expirar, solte primeiro o ar da parte alta, em seguida da parte média na região das costelas e diafragma, e por último, esvazie a região do abdômen.

Conte o tempo que leva para inspirar, e ao expirar, solte o ar no dobro do tempo da inspiração.

" ...a respiração controla tudo em sua vida..." by Patricio Marin

Namastê!

Foto: www.corpotai.blogspot.com

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Ásanas


"... A Ciência do ioga ajuda-nos a manter o corpo como se fosse um templo... O corpo é indolente, a mente é vibrante, a alma luminosa. Os exercícios de ioga desenvolvem o corpo até o nível da mente vibrante, para que corpo e mente, tendo ambos se tornado vibrantes, sejam atraídos pela luz da alma..."

 by B.K.S. Iyengar, A Árvore do Ioga