terça-feira, 27 de agosto de 2013

Chakras

Os Chakras são centros energéticos existentes no corpo humano, responsáveis por captar, armazenar e conduzir o prana (energia) pelo corpo. Existem milhares de centros energéticos ao longo do corpo, mas vamos nos limitar aos sete principais, localizados entre a base da coluna e topo da cabeça.

Cada chakra tem sua cor, elemento, bija mantra, e um vínculo com os vrttis, as latências  mentais presente em cada um deles, que determinam os condicionamentos e as ações de cada indivíduo, e que muitas vezes podem fazer com que a energia em determinado chakra fique estagnada, trazendo a desarmonia do mesmo.
Conhecendo o conteúdo de cada um deles, podemos através das técnicas do yoga, entre elas asanas, bandhas e pranayamas, transpor esta estagnação e gerar mudanças biológicas e psíquicas.
A palavra chakra vem do sânscrito e significa “roda”, ”disco”, “plexo”.
O Shat-Chakra-Nirupana  Upanishad foi compilado em 1577 pelo hindu Purnananda, um guru de Bengala, e é considerado uma das melhores descrições a respeito dos chakras e nadis.

As descrições a seguir são baseadas nesta escritura, e caso tenha interesse em se aprofundar no assunto, indicamos o livro  Teoria dos Chakras, de Hiroshi Motoyama, Ed.Pensamento,  que faz um detalhado estudo sobre o tema.

Muladhara Chakra

download (3) O Chakra Raiz está localizado na base da coluna vertebral, entre o ânus e os órgãos genitais, e está relacionado as glândulas supra-renais, que segregam adrenalina. É aqui que a kundalini está adormecida.
Cor: ocre
Elemento: terra
Bija Mantra: LAM
Pétalas: 4 pétalas vermelhas
Símbolo: quadrado
Lâtencia: segurança
Em harmonia: instinto de sobrevivência, solidez, autoconfiança, materialidade, boa comunicação, relação sádia com a matéria, capacidade de transcender limites
Em desarmonia: inércia, posse, medo, apego, rigidez, cobiça, avidez, bloqueio na comunicação, tendência de ser manipulado, credulidade, dificuldade em dar e receber, possessividade

download (2)Svadhisthana Chackra

O Segundo Chakra está localizado na raiz dos orgãos genitais, quatro dedos abaixo do umbigo, corresponde ao plexo prostático.
Cor: branco
Elemento: água
Bija mantra: VAM
Pétalas: 6 pétalas vermelhas
Símbolo: crescente
Latência: sexualidade
Em harmonia: valor, coragem, reações positiva ante os obstáculos, criatividade, vitalidade, domínio sobre as paixões.
Em desarmonia: agressividade, violência, excessos, vergonha, autodestruição, obsessão sexual, domínio, solidão

download (4)Manipura Chakra

O Terceiro Chakra está localizado na região do plexo solar, à altura do umbigo e está associado ao plexo epigástrico e ao pâncreas.
Cor: vermelho
Elemento: fogo
Bija mantra: RAM
Pétalas: 10 azuis
Símbolo: triângulo
Latência: poder
Em harmonia: bem-estar, poder, consciência do eu, impulso pelo autoconhecimento, confiança, discernimento
Em desarmonia: egotismo, domínio sobre os demais, distorção da sexualidade, ambição, arrogância, raiva


download (7)Anahata Chakra

O Quarto Chakra está localizado ao nível do coração, relacionado ao plexo cardíaco e ao timo, a glândula responsável pelo funcionamento do sistema imunológico.
Cor:  cinza
Elemento: ar
Bija mantra: YAM
Pétalas: 12 vermelhas
Símbolo: 2 triangulos
Latência: amor
Em harmonia: amor, solidariedade, religiosidade, alegria, autoridade, compreensão, generosidade, nobreza, compaixão
Em desarmonia: passividade, falta de motivação ou confiança, angústia, desespero, aversão, ódio, agressividade


images (22)Vishuddha Chakra

O Quinto Chakra está localizado na plexo laríngeo, região da garganta. Está relacionado com as glândulas tireóide e paratireóide, que regulam o metabolismo.
Cor: prata
Elemento: espaço
Mantra: HAM
Pétalas: 16 púrpura
Símbolo: círculo
 Latência: eloqüencia
Em harmonia: reflexão, criatividade, receptividade, expressão, intuição, magnetismo, comunicação com o subconsciente
Em desarmonia: conflito de auto-imagem, dificuldade em expressar o que pensa e/ou sente, ganancia insensatez, negatividade

download (8)Ajna Chakra

O Sexto Chakra está localizado entre as sobrancelhas, no chamado terceiro olho. Relacionado ao plexo cavernoso e a glandula pituitária (hipofise), que segrega a endorfina.
Cor: branco e ouro
Elemento: -
Mantra: OM
Pétalas: 2 luminosas
Símbolo: lingam
Latência: saber
Em harmonia: intelecto, compreensão, força de vontade, determinação, paciência, perdão, plenitude, discernimento
Em desarmonia: bloqueio intelectual, dificuldade em ver as coisas como são, orgulho, soberba isolamento da totalidade


download (9)Sahashrara

O Sétimo Chakra está localizado no alto da cabeça, também conhecido como chakra coronário. Relacionado ao plexo cerebral e a glandula pineal (epifise), produtora de melatonina, substância que regula o sono e os ritmos biológicos. Cor: luz branca
Elemento: -
Mantra: -
Pétalas: 972 de luz
Símbolo: esfera
Latência: iluminação
Em harmonia: intuição, queima dos samskaras, transcendencia, amor universal, impulso de evolução, energia
Em desarmonia: falta de visão, falta de discriminação e falta de compreensão das realidades da vida

por Melissa Amita

FONTE:

KUPFER, Pedro – Apostila Formação em Yoga Curso Livre Módulo 1, Yogabindu Ano 2009 MOTOYAMA, Hiroshi - Teoria dos Chakras, Ed Pensamento, Ano 1988

terça-feira, 9 de julho de 2013

Tratados do Hatha Yoga


No estudo do Yoga, mas precisamente do Hatha Yoga, estudamos textos de extrema importância que abordam técnicas físicas e psíquicas, e além disso, estes textos nos trazem a compreensão do desenvolvimento do Yoga através das gerações.
Na ordem cronológica, a primeira citação ao Hatha Yoga, foi feita por Gorakshashataka, asceta fundador da ordem dos Kanphata yogis (orelhas furadas) e autor dos tratados Hatha Yoga (hoje perdido) e Gorakshashataka
Seguindo, temos o Hatha Yoga Pradipika de Svatmarama, o Gheranda Samhita datado de aproximadamente 400 anos atrás, e o Shiva Samhita, sendo este último a mais extensa e elaborada desde o ponto de vista filosófico.
Todos eles abordam o mesmo ensinamento, com algumas variações na ordem de apresentação dos temas, e na quantidade de técnicas.
Nestes textos, estão descritos os asanas (postura), pranayamas (respiração), shatkarmas (purificações), bhandas (pontos de condução de energia) e mudras (selos energéticos), aborda o despertar da kundalini (poder espiritual e energético localizado na base da coluna), assim como aponta o caminho para se chegar ao Samadhi (estado de iluminação).
São através destas técnicas que o praticante faz do corpo um instrumento para o crescimento pessoal levando o conhecimento também para a sua vida diária, e descobre que o que faz diferença é a atitude que se toma na execução de cada uma delas.

Abaixo, segue a introdução do Gheranda Samhita ("Coleção do sábio Gheranda"). O texto consiste num diálogo entre um sábio, Gheranda, e seu discípulo, Chabda Kapali. E dentro todos os textos, talvez, este  seja o que mais está perto das práticas de Hatha Yoga do século XXI.

"Uma vez, o jovem Chanda Kapali visitou o ermida do sábio Gheranda, a quem saudou com reverência e devoção: " Ó grande entre os yogis! Ó mestre do Yoga! Ó senhor! Por favor, instrui-me sobre a Ciência (vydia = conhecimento) da Força (Hatha), que conduz ao conhecimento da Verdade.
"Corretamente pedes, ó tu dos braços poderosos! Responderei, filho, todas tuas perguntas. Escuta com atenção. Não existem correntes como as da equivocação. Não existe força como a que provem da disciplina. Não há amigo mais elevado que o conhecimento. Não há inimigo mais poderoso que o egoismo. Assim como mediante o aprendizado dos alfabetos consegue-se, com a prática, dominar as ciencias, da mesma maneira, praticando o treinamento da Força adquiri-se o conhecimento da Verdade.
"De acordo com as aççoes, corretas ou incorretas, geram-se os corpos de todos os seres. Esses corpos dão origem às ações, que conduzem aos renascimentos. Dessa forma, a roda [do samsara fira sem parar], como o moinho d'agua. Assim como os baldes d'agua, puxados pelo boi, sobem e descem no moinho, ora cheios, ora vazios, da mesma forma a alma atravessa a vida e a morte movida pelos karmas"

Om Shanti Shanti Shantih
Hari Om

Melissa Amita


Fonte: KUPFER, Pedro - Apostila Formação em Yoga Curso Livre Módulo 1, Yogabindu Ano 2009
           Fotos: http://www.fisioeyoga.com.br/o-verdadeiro-discipulo/

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Mantras, o encontro com o Absoluto

As duas formas de conhecimento (vidya) a serem conhecidas são o Absoluto Sonoro e aquilo que o transcende. Aquele que conhece o Absoluto Sonoro chega ao Absoluto Supremo” Amrita Bindu Upanishad – 17


 mantras

Para se falar sobre mantras da tradição hindu, é preciso antes de tudo entender um pouco sobre o Sânscrito. O Sânscrito é um dos idiomas da Índia, e tem sua origem por volta de alguns mil anos antes de Cristo. Conhecido como a linguagem dos Deuses, ele foi utilizado na escrita dos Vedas, o livro sagrado da Índia, e muitos historiadores o classificam como o livro mais antigo encontrado, datado aproximadamente de 1500 A.C. Os Vedas são constituídos por 4 volumes de texto em forma de versos, que contém toda a base da cultura hindu, e permeia as praticas religiosas e espirituais, apresentando todos os caminhos para o conhecimento.
Compara-se o Sânscrito com a matemática, pois nele os princípios de harmonia sonora operam precisa e constantemente. A Matemática que é uma linguagem precisa e utilizada pela ciência, excita o cérebro, mas não o coração. O Sânscrito, assim como a musica, tem o poder de tocar no coração. O que tem de extraordinário no Sânscrito é que ele oferece a todos o acesso direto a um plano superior, onde tanto a matemática como a musica, o cérebro como o coração, a razão como a intuição, a ciência e religião tornam-se unos.
O Sânscrito é a linguagem dos Mantras, palavras que tem o poder de remover os condicionamentos da mente, por estarem em sintonia com o sutil e com a harmonia invisível da criação.
Os Mantras Védicos são o início das Upanishads. As Upanishads são o resumo do Vedas, comentados entre mestre e discípulo em forma de debates espirituais. O grande estudioso dos Vedas foi Shankara Chaya, e em cima dos seus comentários de Upanishdas, é que é feito todo o estudo dos Vedas.

Com esta breve apresentação, podemos agora falar mais sobre os Mantras e sua relação com a prática de yoga.
A palavra Mantra pode ser dividia da seguinte maneira: “Man” equivale a mente e “Tra” significa instrumento. Ou seja, o Mantra é um instrumento que conduz a mente.
É uma palavra ou frase de poder que deve ser usado com propriedade e consciência. Sua força reside em sua entonação correta. Começamos pelo princípio, OM. O OM é a essência dos mantras, o mais importante do hinduísmo, representa os elementos água, terra, fogo, ar e éter e é considerado o som do Universo. Ele na verdade não é um mantra e sim um Pranava. O Pranava é a ponte para atingir os mantras.
images (1)
Há varias maneira de entoar o Om, cada mestre tem uma técnica especifica. A sua origem é A + U + M = AUM, podendo recitá-lo nesta forma. Mas como se trata de um ditongo A+U=O,  recitá-lo OM também é correto. O Importante é respeitar os três tempos de entonação, que correspondem aos nossos três estados de consciência: vigília, sono e sonho. Uma curiosidade, segundo várias escolas hinduístas, o Om quando entoado internamente é muito mais poderoso e eficaz.

Os principais chackras do nosso corpo tem seu próprio som que é composto de três sílabas como o AUM. Podemos, trabalhar a harmonia dos nossos chackras em prática de asanas, pranayamas e durante a meditação através da visualização e entonação de cada um dos mantras correspondentes. Em ordem crescente são eles LAM (Muladhara) , VAM (Svadhistana), RAM (Manipura), YAM (Anahata), HAM (Vishudha) e OM (Ajna).


images (2)

Podemos também mantrar aos Deuses específicos como Shiva, Ganesha, Krishna, entre outros, estabelecendo assim uma conexão com cada um deles. Os mantras relacionados às deidades são poderosos e podem nos ajudar na realização de mudanças, remoção de obstáculos, transformações  ou apenas como agradecimento e reverencia. Eles são muito utilizados nos kirtans, os cantos devocionais indianos, e podem ser entoados também através de Japa, repetições de mantras ou frases através da utilização de um cordão de 108 contas, o Japamala.


japa mala

Mantre a Shiva para obter força nos períodos de mudanças e transformações, pois Shiva é o Deus da destruição, extingue o velho para dar espaço ao renascimento.
OM NAMAH SHIVAYA /Saudação Oh Senhor Shiva, inclino-me perante a ti 

 Mantre a Ganesha para ter a coragem de remover obstáculos que bloqueiam o seu crescimento espiritual. Ganesha é o Deus que remove os obstáculos através do seu intelecto e sabedoria.
OM GAM GANAPATAYE NAMAHA / Saudação a Aquele que remove os obstáculos

Os mantras védicos são o inicio das Upanishads. Muitos deles são chamados de Invocação à Paz e Invocação à Felicidade. Alguns são mais populares e utilizados em aulas. Estes mantras no geral são muito longos, e para se aprofundar neles é preciso estudar o Sânscrito. Mas não se prenda muito a isso, assim como a seus significados. Não há duvidas que eles são muito ricos em ensinamentos e quanto entoado, sua vibração transcende o entendimento.
Segundo Mahatma Gandhi, se todas as Upanishads fossem extintas e restasse apenas o primeiro verso de Isva Upanishad, este valeria por todos. Eu concordo! E você? Se não conhece aperte o play e se entregue. Este é o mantra em forma de Kirtan. Para saber como entona-lo numa prática, acesse a pagina do Boa Yoga no SoundClouds.

Boa Yoga SoundClouds

Mantra da Plenitude 
OM PURNAMADAH PURNAMIDAM PURNAT PURNAMUDACHYATE
PURNASYA PURNAMADAYA PURNAVEVASHISHYATE
OM SHANTI, SHANTI, SHANTIH 
Om, Isto é plenitude. Aquilo é plenitude. Da plenitude, a plenitude surge.
Tirando-se a plenitude da plenitude, somente a plenitude resta.
Om, paz, paz, paz 


Todo o Universo manifestado está fundamentado em energia e vibração, e é por isso que é possível produzir todo tipo de mudanças na matéria e na consciência por intermédio do som. Desde tempos antigos, grupos de Shadus vagueiam pelas terras da Índia cantando bhajans e mantras, por horas e horas todos os dias do ano, com o duplo propósito de elevar a consciência e manter o equilíbrio da sociedade. A utilização dos mantras nas aulas de Yoga é de extrema importância, como forma de reverenciar e agradecer aos Deuses e aos Mestres todos os ensinamentos da tradição, assim como é uma ferramenta que nos conduz através da vibração sonora ao encontro com o  Absoluto Supremo. Aquele que conhece o Absoluto Sonoro, chega ao Absoluto Supremo.

Hari Om
Melissa Amita


 * FONTE
MALVEZZI, MARCOS - Mantras, palavras de poder –  Ed Madras 1998
KUPFER, PEDRO -Isha Upanishad, a Upanishad do Ser Infinito - Cadernos do Yoga 1Ed. 2004 LOKASAKI - A Origem do Sânscrito – Cadernos do Yoga 1Ed.  2004
LOMBARDI, INÊS - Mantras e musica clássica indiana – Cadernos do Yoga  10Ed. Ano 2006
Audio: Purnamada , Puntumayo Presents Yoga
Imagens: Atma Tattva, Musica Indiana Brasil, Plotinus One, Filosofias do Universo

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Mitologia, Sutras e uma pedra no caminho.

“ Na mitologia hindu, Kali é uma manifestação da Deusa Durga. Segundo a lenda, nos primórdios dos tempos, um demônio chamado Mahishasura ganhou a confiança de Shiva depois de uma longa meditação. Shiva ficou agradecido por sua devoção e então lhe concedeu a dádiva de que cada gota de seu sangue produziria milhares como ele, que não poderiam ser exterminados nem pelos homens, nem pelos deuses. De posse de tamanho poder, Mahishaseura iniciou um reinado de terror vandalizando pelo mundo.
As pessoas foram exterminadas cruelmente e até mesmo os deuses tiveram que fugir de seu reino sagrado. Os Deuses reuniram-se e foram se queixar para Shiva das atrocidades cometidas pelo tal demônio. Shiva ficou muito zangado ao ser informado de tais fatos.
Sua cólera, por sentir-se traído em sua confiança, saiu do terceiro olho na forma de energia e transformou-se em uma mulher terrível.


Shiva aconselhou que os outros Deuses também deveriam concentrar-se em suas shaktis e liberá-las. Todos os Deuses estavam presentes quando uma nova deusa nasceu e se chamou a princípio de Durga, a Mãe Eterna. Ela tinha oito mãos e os Deuses a investiram com suas próprias armas de poder: o tridente de Shiva, o disco de Vishnu, a flecha flamejante de Agni, o cetro de Kubera, o arco de Vayu, a flecha brilhante de Surya, a lança de ferro de Yama, o machado de Visvakarman, a espada de Brahma, a concha de Varua e o leão, que é o meio de locomoção de Himavat.
Montada no leão, transformou-se em Kali, e cega pelo desejo de destruição atacou Mahishasura e seu exército. A Deusa exterminou demônio após demônio, exército após exército e um rio de sangue corria pelos campos de batalha, até que finalmente, decapitou e bebeu o sangue de Mahishasura estabelecendo novamente a ordem no mundo ”

Mitologia Hinduista faz parte dos estudos sobre Yoga, assim como outras obras literárias, que nos ajudam a entender melhor uma filosofia e cultura tão diferente da que estamos acostumados.
A principal leitura do yoga são Os Yoga Sutras de Patanjali, e este não trata de mitologia.
Nela está copilado o Yoga e toda a explicação para alcançá-lo, através do conhecimento dos preceitos morais e princípios de auto-controle, identificação dos obstáculos, técnicas de concentração para se chegar no nível de meditação, a meditação e seus poderes.
A obra começa assim:

Atha yoganusasana - Agora o Yoga
Yoga citta vrtti nirodha  -O Yoga é o recolhimento dos meios de expressão da mente.

É preciso muito auto-estudo para se chegar a este objetivo. Muito. Mas muuuuuito.
E a cada livro, cada técnica, cada prática, você se encontra diante de um mundo novo, que você não sabe se fica, não sabe se volta. 
Doce ilusão essa de “voltar”, porque a partir do momento que você sai da Ignorância Real, aquela que é desprovida do conhecimento, você se revolta. Como dizemos, tira-se o véu de Maya (ilusão) e pluft!
Você descobre tanta escuridão, que a sua ação é se isolar.
E acaba se distanciando, criando novos laços de amizade que te suportam numa mesma sintonia. Desliga a TV, abre o livro, usa a tecnologia para questionar e ir atrás da informação verdadeira, torna-se no mínimo ovo-lacto-vegetariano, aprende a respirar, consegue sentar e silenciar. Enfrenta opiniões contrárias, escuta muita abobrinha, é bombardeado pelas ações de marketing que empurrão mercadorias a cada minuto de coisas que você entulha no seu armário, é taxado de alienado porque não assiste “TV”, começa a se enxergar nos defeitos dos outros (que são seus). Tudo de boa, na paz. 
Isso é o que está sendo proporcionado em seu Sadhana, que é o caminho para aqueles que buscam o Yoga. O inicio do auto-conhecimento. Aquele que tem que ser apresentado pra nós desde o jardim de infância, esbarra em você só agora, após 20 e tantos anos de vida, ou mais.
Vidas mudam. Perspectivas mudam. Olhares mudam. Rotina muda. Até alguns valores podem mudar.
Busca-se a quietude com alegria. Com paz, compaixão, respeito pelo argumento do próximo, aceitação abraços, ausência de julgamentos, maior contato com a Mãe Natureza, não há sofrimentos, se alimenta com consciência, atrai todas aquelas coisas leves e boas de sentir que você achou que carregaria para sempre junto de você até o fim da sua vida, sem as perturbações do externo que perturbam o seu interior, tornando-se assim um vórtice que transmuta as energias, ajudando assim a equilibrar o Planeta. Tudo de boa, na paz.
Mas aí, de repente, no meio do caminho tinha uma pedra. Ou melhor tem uma manifestção em São Paulo.
E alguns Yamas (preceitos morais aplicadas não só aos yoguis, mas a todos os seres vivo) que você aprendeu no primeiro capítulo dos Sutras de Patanjali como Ahimsa (não-violência) e Satya (verdade), estão ensanguentadas na região da Consolação. 
Gritos de Não-Violência são mantras para trazer a paz, e são interpretados como” por favor  balas de borrachas e gás lacrimogêneo”.
Seu auto-conhecimento se depara com sentimentos de revolta.
Como silenciar no meio desse turbilhão de energia condensada, misto de poder e direitos, repressão e revolta? Como aquietar os pensamentos se eles são frutos de falta de amor contra a população, seres humanos que lutam pelo mínimo? Vandalismo não se justifica. Mas quem são os vândalos? 
A hipocrisia que era vista por poucos (apenas aqueles que não vivem das ilusões vendidas por aí), nestes últimos dias alcançou uma maioria que estava adormecida na Ignorância Real.
E está maioria aos poucos está começando a acordar e se juntar a multidão. E ao invés de silenciar, a multidão quer falar. Ao invés de meditar, a multidão quer se manifestar. 


No épico Bhagavad Gita, Krishna não desencoraja Arjuna na batalha, pelo contrário, a batalha tem que acontecer.  Batalhas fazem parte do nosso dia a dia, para umas podemos nos calar, para outras não. Umas podem perder, outras podemos vencer.
Que a força de Kali proteja a todos nós.
Que a força de Kali estabeleça a ordem no mundo.

Shanti Shanti Shanti
Paz Paz Paz

Melissa Amita _/\_
Paulistana e Brasileira



terça-feira, 30 de abril de 2013

Kapalabhati: Pranayama ou Krya?


Kapalabhati. Aqui está uma técnica simples, mas que traz muita confusão para os praticantes de Yoga.
Kapalabhati e Bhastrika são técnicas muito parecidas, mas com objetivos totalmente diferentes.
Kapalabhati é um Krya, segundo o Hatha Yoga Pradipka e o Gheranda Samhita  (os dois principais textos estudados pelos yoguis e que descrevem o Hathayoga) , e o seu principal objetivo é a limpeza das vias aéreas superiores.
Quando o Kapalabhati é associado à outra pratica respiratória que inclui retenção de ar, passa fazer parte de um pranayama. Bastrika é um pranayama, e também é conhecida como a respiração do sopro rápido/ fole.
O que é Krya? Krya são técnicas destinadas a limpeza e purificação das mucosas do nosso corpo.
O que é Pranayama? Pranayama são técnicas que nos preparam para o kumbhaka (o não respirar).
Então qual a diferença?
Somente na prática vamos conseguir entender:
Kapalabhati  significa crânio brilhante, pois é esta a sensação que nos traz após a sua pratica.
Sente-se numa posição ereta. Não importa se na cadeira ou no chão com as pernas cruzadas.
O importante é manter a coluna alinhada, assim como a caixa torácica. Faça uma inspiração e ao exalar, expulse lentamente todo o ar do pulmão contraindo o abdômen simultaneamente para ajudar o pulmão esvaziar completamente.  Inspire novamente de forma lenta, fazendo o ar completar os 3 estágios da respiração:  abdômen, pulmão e costelas, e sem pausas, expulse o ar de uma só vez contraindo com força a região abdominal, provocando assim um forte som pelas narinas ao exalar.  

kapalbhati1

A glote deve permanecer aberta para evitar atritos desagradáveis com a passagem do ar. A ação da expulsão do ar está relacionada com força que o abdômen é acionado. A força não é nas narinas ou no pulmão. Descontraia o abdômen e passe a inspirar novamente de forma lenta e completa, e expire vigorosamente o ar da mesma maneira, não esquecendo de que a ação está no abdômen, e não no pulmão ou nas narinas.
Não force a inspiração, ela ira ocorrer naturalmente, mas lembre-se que a exalação deve ser ativa. Inicialmente, faça um ciclo de 10 respirações. E com a prática constante aumente para mais 10 ciclos.
Mas nunca o faça excessivamente. Essa técnica quando feita incorretamente pode produzir tonturas.
Podemos efetuar o Kapalabathi pela amanhã, de preferência após efetuar a limpeza das narinas com o JalaNeti, também conhecido como Lota.

Jala-Neti-Image

Podemos equivocadamente pensar que o Kapalabhati  traz maior oxigenação ao cérebro e por conta disso cria-se duvidas com relação ao fato de pessoas hipertensas poderem realizá-la.
Mas a sua execução correta leva o sangue à alcalose (aumento do pH), associada à redução da concentração sanguínea de CO2 (gás carbônico), sem alterações significativas da concentração de O2 (oxigênio). Como conseqüência disto, após sua execução demora mais tempo para a pessoa sentir vontade de respirar, pois o principal fator metabólico que estimula os centros respiratórios no bulbo é exatamente a elevação da concentração sanguínea de CO2. Não há qualquer impedimento para que hipertensos o façam, porém é preciso ter certeza de que a técnica está correta, com a contração do abdômen na expiração e seu relaxamento na inspiração... e nada além disto.
Já, o Bhastrika, segundo o Hatha Yoga Pradipka e o Gheranda Samhita, é a combinação do Kapalabhati com outras técnicas que incluem inspirações, contenções e expirações de forma ativa. O sábio que realizar este pranayama como explicados nos textos “ nunca padecerá de enfermidades e estará sempre saudável ”. É  importante ressaltar que para o Bhastrika, por ser uma técnica mais profunda, o acompanhamento de um professor é essencial para os iniciantes, por este motivo não vou explicá-la a fundo, por ora.

IMG_1685

Com a técnica correta, o Kaphalabati traz inúmeros benefícios:
-Aumento da capacidade vital e da capacidade de retenção da respiração
-Desobstrução nasofaringeana, auxiliando em casos como rinites e obstrução nasal
-Melhora da capacidade expiratória, com melhores condições de prevenir e controlar sintomas de doenças respiratórias obstrutivas como asma e bronquite
-Redução de freqüência respiratória e da circulação periférica após sua execução
-Melhora de resitencia cardiovascular com sua pratica regular
-Aumento da circulação e estimulação mecânica dos órgãos abdominais, melhorando as funções digestivas --Melhora do esvaziamento da bexiga urinaria, prevenindo problemas como cistites
- Condicionamento da musculatura abdominal

Todos este efeitos são importantes, mas deve-se lembrar que o Yoga não é uma prática isolada, e suas técnicas de krya devem ser feitas em conjunto com asanas e pranayamas e com regularidade. Todos estes passos nos levam a melhores estágios meditativos, e que nos conectam com nossa essência.

Om Shanti _/\_

Melissa Amita
*Agradecimento especial ao Prof. Gerson D’Addio da Silva pelos seus ensinamentos.